Le Chat Noir

O Chat Noir ilustrado na foto acima (à esquerda) é muito popular e provavelmente você já o viu impresso em algum lugar. Seu criador, porém, não é tão conhecido assim.

Théophile Alexandre Steinlen (1859-1923), pintor, ilustrador e impressor nasceu na Suíça. Em 1881, aos 19 anos, mudou-se para Paris e dedicou-se ao desenho profissionalmente. Frequentou os cafés de Montmartre, principalmente o famoso Le Chat Noir (fundado pelo seu colega suíço Rodolphe Salis), onde travou conhecimento com artistas de vanguarda, como Toulouse-Lautrec, Adolphe Willette, entre outros. Tornou-se um dos colaboradores regulares da revista Le Chat Noir, e logo começou a desenhar para a maioria das revistas de humor, às vezes utilizando o pseudônimo de Jean Caillou. Trabalhou também no Gil Blas illustre (fez mais de quatrocentos desenhos), Mirliton, Chambard, Rire e L’Assiette au beurre. Em 1911, tornou-se um dos 13 jornalistas fundadores da Les Humouristes, cuja duração foi curta, infelizmente.

Steinlen adorava gatos. Seu afeto por animais foi observado já em sua escolaridade, quando desenhava gatos nas margens de seus cadernos. No início de sua carreira, vendia desenhos de gatos em troca de comida. Nos anos posteriores, gatos aparecem na maioria de seus desenhos, ilustrações para revistas, cartazes ou litografias, quase como uma espécie de assinatura. O artista desenhou, pintou e esculpiu-os. Tentou traduzir toda a imaginável sutileza de seus movimentos, poses, charme, caráter, assim como suas propriedades simbólicas. O período em que esculpiu os felinos é pouco conhecido, porém, o Museu de Berlim conservou uma de suas peças em bronze, chamada “Um Angorá”.

Em Paris, sua casa na Rue Caulaincourt foi um local de encontro para todos os gatos do quartier. Vários dos estudos dos gatos de Steinlen foram compilados em uma publicação intitulada “Des chats”. A filha Colette, escritora e tal como o pai, grande apreciadora de gatos, serviu-lhe de modelo para o cartaz “Le Lait de la Vingeanne” (acima, à direita).

18 thoughts on “Le Chat Noir

  1. Que barato, Leila, adoro estes cartazes que marcam bem esta época de Lautrec e CIA…Dizem que foi nesta época que apareceram as “affiches”, cartazes, e estas ilustrações são de um primor..
    Lamentavelmente, com a idade começo a me tornar saudosista de coisas e de tempos que nunca vivi…
    Como se nadasse contra corrente..E sei que isso ñ é bom..
    Ele tinha bom gosto, acho o gato uma criatura muito misteriosa a assim como ele, ñ me canso de olhá-los, é como se estivesse vendo um vislumbre de transcendência através das suas poses , de seus olhares ..É por aí….

  2. Eu também Jean, sempre tenho a sensação de que nasci na época errada!! Adoro a tecnologia, mas sou também muito nostálgica.
    Fico só imaginando aquele tempo onde tudo era mais devagar… e imagine o trabalho do Steinlen na litografia, que maravilha! Como ele conseguia explorar as cores e o traço solto. Gosto muito do trabalho dele! Mil gatos e as cores na dose certa.
    abs

  3. Tb Gostei muiro..É uma descoberta e tanto..Essa coisa dele colocar os gatos no seu trabalho…
    Até tento tb (sem pretensão de me comparar a um artista como ele…) mas tento colocar animais ou seres que gosto como no livro da Cocanha, adoro unicórnios e ñ tinha no texto mas ele se torna central nas ilustrações do livro, e ñ encresparam com o fato…
    Mas nem sempre é possível, né?
    PS: meu email anterior é um prato cheio pra ironia de Flavia…rs

  4. Sim eu já conhecia, mas não essa história toda do autor. Obrigada! Lindo!
    bjs, flavia
    (eu e a Vania pegamos de novo o livro. Acho que agora vai!)

  5. ooops! assim que cliquei o “submit” ouvi… o meu nome?
    Esta flavia da “ironia” seria eu? a inocente eu? euzinha?
    Nem lembro mais qualfoi minha última bibajada por aqui, mas o que me chamou atenção no seu primeiro comentário foi o poético de alguém “saudosista de coisas e de tempos que nunca vivi…”
    Sou imprevisível meu caro Jean-Claude. às vezes “irônica”, às vezes poética.
    (eventualmente as duas coisas juntas)
    bj, f
    Ah: se era da coisa da transcedência/gato/pessoa, eu compartilho! Vc não me conhece…

  6. vocês se encontrando por aqui de novo!! hehehe
    frases inusitadas e assuntos em comum: o gato!
    Tanto Flávia como Jean são catlovers assumidíssimos, e isso é muito bom!
    Jean, o unicórnio ficou maravilhoso no livro, deu um toque mais fantástico.
    abraços aos 2

  7. Nada, Jean-Claude! A comunicação por aqui é mais ineficaz do que clara. E eu toda destrambelhada, e não resisto a uma piada. Devo ter causado mesmo desconforto. tb devo desculpas. Mas acho que a leila n˜åo vai gostar que alonguemos isso por aqui. Então falemos de gatos. Sim, os pretos são lindos e o olhar de qualquer um é sim transcendental. A propósito desse olhar tem uma passagem de Lévi-Strauss no Tristes Trópicos em que ele fala desse entendimento que encontramos no olhar que trocamos com um gato. Uma vez mandei essa passagem para a Leila…
    Et voilá! nós dois falando para a Leila do olhar dos gatos!
    Ironias inocentes da vida!
    bjs, Flávia

  8. Na verdade eu estava esperando pra colocar o Strauss no catlover, com uma foto bem legal dele com algum gato, mas não resisti e coloco o email da Flávia aqui:

    – – – –
    querida leila, assim o Lévi Strauss termina seu Tistes Trópicos:

    (…) durante os breves intervalos que a nossa sociedade suporta interromper sua faina de colméia em captar a essência do que ela foi e continua a ser, aquém do pensamento e além da sociedade: na contemplação de um mineral mais belo que todas as nossas obras; no perfume mais sábio que os nossos livros, respirado no âmago de um lírio; ou no piscar de olhos, cheio de paciência, serenidade e perdão recíproco que um entendimento involuntário permite, por vezes, trocar com um gato.
    Claude Lévi Strauss, Tistes trópicos
    (pp 409-410)

    Que etnografia! Que relativismo cultural, que nada! Está tudo no olhar de um gato…
    – – – –

    é lindo, né não?
    abraços aos 2!!

  9. Lindo mesmo..
    œue maravilha de texto..Não conhecia.
    Adorei o trecho ” durante os breves intervalos….SUPORTA interromper sua faina de colméia”
    Isso é genial, é verdade o que Stauss diz, ainda mais dos nossos dias, é por demais insuportável parar um pouco para querer (pois é só querer) sentir ou ver mesmo através dos olhos de um gato algo que tange o essencial..
    Mas pode ser um mineral, uma árvore…Mas o gato é realmente mais extraordinário pois nos olha no fundo da nossa alma e quem acaba por desviar o olhar somos nós..
    E olha que eu só descobri minha paixão pelos felinos bem recentemente, era mais amigo dos cães..Flavia vc encontrou a sentença perfeita, parabéns!

  10. é mesmo Jean, o gato encara de verdade, e somos nós que desviamos o olhar.
    já ouvi dizer que o gato nunca encara seu dono, mas meus gatos vivem me encarando, e sempre brinco pra ver quem desvia o olhar antes de quem!! hehehe
    gato é tudo!! :)
    abraços

  11. Ah leila isso é papo de quem não gosta de gatos. O gato não encara quem não gosta de gato. E esse é o povo que não sabe o que de recíproco encontramos nesse olhar. Ah, mas essa deve ser a mesma gente que nem sabe conversar com as pedras! Gente pouqunha, rala, rasa e surda! hehe. Nem sabem transformar uma caixa de comentário num espaço de prazer e entendimento (tipo olho de gato, sabe?)
    Que bom que vc tb gostou jean-Claude!
    Só fiquei com pena de perder o post todo lindo que a Leila faria com ele! Humpf…
    bjs, flavia

  12. É mesmo Flávia, já houvi tanta besteira em relação a gatos!! daquelas que dá vontade de… hehehe… é melhor nem dizer aqui. :)
    Fica tranquila que aqui tem espaço pra tudo, não perdi teu post, ele ainda vai entrar na página principal, e com direito à foto!!
    beijos e um bom final de semana chuvoso.

  13. Eu adoro o trabalho do Steinlen desde que soube que ele fez o cartaz do Le Chat Noir, freqüentado por Van Gogh, Lautrec e outros artistas considerados de vanguarda na época.

    Beijos,
    Cris

  14. Muito obrigada por me apresentar Steilen.
    Eu tenho 2 gatos e penso que todos eles são criaturas especiais.
    Estou fazendo um álbum no orkut com obras de arte que tenham os gatos como tema. Neste garimpo de imagens de gatos tenho encontrado algumas coisas maravilhosas , com certeza vou colocar o Steilen. Se quiser , dê uma passadinha por lá para ver.

  15. A gente logo percebe que quem gosta de gatos é refinado.
    Amo todos os bichos, mas os felino……….que obra linda da natureza!

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