O gato por dentro – William Burroughs

O Gato por dentroA editora L&PM lançou, em 2006, o pocket book “O gato por dentro”, no qual o célebre escritor beat norte-americano William Burroughs (1914-1997), amante inveterado dos felinos, relembra em 102 páginas, os gatos que passaram pela sua vida, tudo o que fizeram por ele e por sua saúde mental. O escritor parece concluir que, fora as particularidades físicas, pouca diferença há entre humanos e felinos.

William Burroughs iniciou sua carreira literária na década de 40, ao lado de Jack Kerouac e Allen Ginsberg, entre outros escritores beats. Sua obra mais conhecida é “Naked Lunch” (Almoço Nu), publicado em 2005 no Brasil, pela editora Ediouro. Conhecidíssimo pelas experimentações com diversos narcóticos, nos anos 70 Burroughs passou a lecionar e conviver com intelectuais e artistas como Andy Warhol e Susan Sontag. Na década de 80, sua obra e personalidade tornaram-se referências mundiais.

Escrito na maturidade do autor, entre 1984 e 1986, “O gato por dentro” traz inventivas e espirituosas reminiscências e reflexões. É uma viagem sentimental e muito particular pelo ancestral convívio entre gatos e humanos. Abaixo, alguns trechos do livro:

“Quando penso no início de minha adolescência, eu me recordo da sensação recorrente de aninhar e acariciar uma criatura contra meu peito. É bem pequena, mais ou menos do tamanho de um gato. Não é um bebê humano, nem um animal. Não exatamente. É parte humana e parte outra coisa. Lembro-me de uma ocasião em que isso aconteceu lá na casa da Prince Road. Eu devia ter doze ou treze anos. Eu me pergunto o que era… um esquilo?… não exatamente. Não consigo ver direito. Não sei de que ela precisa. Sei apenas que confia plenamente em mim. Muito mais tarde eu descobriria que fui escalado para o papel do Guardião, para criar e alimentar uma criatura que é parte gato, parte humana e parte algo ainda inimaginável, que pode resultar de uma união que não acontece há milhões de anos.”

“Nos últimos anos, tornei-me um dedicado amante de gatos, e agora reconheço a criatura claramente como um espírito felino, um Familiar. Sem dúvida compartilha coisas com o gato, e também com outros animais: raposas voadoras, lêmures ai-ais, lêmures-voadores com olhos amarelos enormes que vivem em árvores e são indefesos no chão, lêmures de cauda anelada e os pequeninos lêmures microcebos, martas, guaxinins, minks, lontras, gambás e raposas da areia.”

“Há quinze anos sonhei que tinha pego um gato branco com linha e anzol. Por algum motivo, estava prestes a rejeitar a criatura e jogá-la de volta, mas ela começou a se esfregar contra mim e a miar de um jeito comovente. Desde que adotei Ruski, os sonhos com gatos são nítidos e freqüentes. Costumo sonhar que Ruski pulou em minha cama. Claro que isso às vezes acontece, e Fletch também é um visitante contumaz, que pula na cama, se aninha contra mim e ronrona tão alto que não consigo dormir.”

3 thoughts on “O gato por dentro – William Burroughs

  1. Que história maravilhosa, Leila! Agora mesmo, estou sentada na pontinha da cadeira porque o Frederik decidiu duas coisas: tirar uma soneca em cima dela e se encostar em mim! Já a Athena tá aqui na mesa, do lado do teclado, tentando entender por que passo tanto tempo na frente do computador e cercada de papéis. :-)

  2. Ótimo esse livro. Li ele recentemente e pouco tempo depois, mesmo reconhecendo a humanidade desses bichos, presenciei um ataque de ciúmes do meu gato…hahah…Montito, você não existe!

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