O silêncio de Candida Höfer

A artista alemã Candida Höfer registra espaços onde a mistura de diferentes épocas se encontram. Desde 1979 Candida fotografa espaços públicos ou semipúblicos como igrejas, hotéis, salas de espera, auditórios e teatros. Muitas das fotografias de Höfer são dedicadas às bibliotecas e museus, estes que são centros da vida cultural, “onde a cultura é categorizada, administrada, guardada e exposta” (Höfer). As mais lindas bibliotecas de todo o mundo podem ser vistas na publicação “Libaries”da editora Thames and Hudson e com prefácio de Umberto Eco.

Os interiores fotografados por Höfer são locais de transição, organização e conhecimento e raramente os espaços fotografados incluem seres humanos. A presença humana é apenas sentida indiretamente, embora ela esteja sempre lá inscrita na matéria e na memória de quem habitou estes edifícios ou de quem os ergueu, passou ou hoje deles usufruem.

Admiro o trabalho desta artista porque além do tema proposto entre o público e o privado, o silêncio e os templos sagrados de livros, é a luz natural que prevalece em suas fotografias. Obras completamente desprovidas de pessoas, esta é a marca, o registro e o rastro do Höfer, cuja obra irradia uma serenidade reconfortante, em que o silêncio e o vazio predominam.

As imagens acima são das bibliotecas: Trinity College Library Dublin, Biblioteca de la Real Academia de la Lengua Madrid e La Bibliothèque Nationale de France, Paris. A foto abaixo é da British Library, em Londres.

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