Julia Child

Aos poucos tentarei comentar sobre os muitos filmes e séries que assisti nestes últimos meses. E para começar, um filme relacionado com culinária, tema que eu adoro e se o tempo me permitisse, veria milhares de vezes Simplesmente Martha, Babette e etc.

julie&ljuliaOntem assisti Julie & Julia e confesso que quase desisti de vê-lo logo no seu início. Com lindas paisagens parisienses, o filme traz uma das minhas atrizes preferidas, Meryl Streep no papel da autora de livros de culinária e apresentadora de televisão americana, a chef Julia Child. Meryl é magnífica em todos os seus papéis, mas neste filme ela trouxe o sotaque de Julia, em um leve exagero no agudo tom da voz, causando um efeito irritante. Foi difícil aguentar o filme inteiro, mas no final valeu à pena para provocar o paladar.

O filme é fraco e com cenas clichês retratando a ‘crise dos 30′ da blogueira Julie Powell, que ficou famosa pelo livro homônimo e por trazer novamente à cena o estilo de cozinhar de Julia Child, que obteve sua fama nos anos 70 e 80 ao apresentar um programa de tv sobre culinária. O roteiro é baseado no livro de Julie, que narra sua aventura gastronômica na realização de todas as receitas do best seller da chef americana (Mastering the Art of French Cooking) em 365 dias, relatando tudo em seu blog pessoal; e também no livro da própria Julia Child (Minha vida na França), lançado postumamente e que ocupou seu pensamento até os últimos minutos antes de sua morte, em 2004. Bem mais interessante assistir sobre sua deliciosa vida em Paris – entre 1948 e 1954 –, e a busca de uma americana de classe média, desde o seu primeiro contato com o maravilhoso mundo das manteigas até o período em que cursou o famoso Instituto Le Cordon Bleu, e provou num universo machista que uma mulher poderia aprender e também ensinar a culinária francesa.

O melhor do filme é o que não está no filme, começando pelo livro de Julia “Minha vida na França” (que já está na lista de “livros a ler”) e pelos vários vídeos postados no youtube, dentre eles um em que a própria ensina como fazer um omelete francês. Julia era líder em audiência desde sua estreia na televisão em 1963, com o programa “The French Chef”, e passou a fazer parte da cultura familiar e foi objeto de várias referências: em 1966, ela estampou a capa da revista Time com o título “Our Lady of the Ladle”.

julie_child_kitchen

Sua cozinha também não era qualquer cozinha! Projetada por seu marido, ela foi totalmente transformada com iluminação apropriada para tv, com três câmeras posicionadas para capturar todos os ângulos possíveis, e um enorme centro com um fogão a gás de um lado e um fogão elétrico do outro, mas com o cuidado de deixar os aparelhos pessoais de Julia, como o seu “forno de parede com a porta rangendo”, o que acrescentou uma pitada pessoal e aconchegante ao espaço. Este foi o cenário de quase todos os seus programas na década de 90 e hoje ele é exibido no Museu Nacional de História Americana em Washington, DC.

O blog original de Julie Powell continua no ar e também é um extra melhor que o filme: “Government drone by day, renegade foodie by night. Too old for theatre, too young for children, and too bitter for anything else, Julie Powell was looking for a challenge. And in the Julie/Julia project she found it. Risking her marriage, her job, and her cats’ well-being, she has signed on for a deranged assignment”. Pelos comentários na net, é melhor ler o blog do que comprar o livro.

Imagino que muitos blogueiros se identificam com este filme, principalmente os que tem seu assunto principal na culinária. E eu como cozinheira amadora e fã de culinária, não me arriscaria a escrever sobre este tema aqui, mas depois de ontem… com muita inspiração fui ao verdureiro hoje cedo e decidida resolvi cozinhar uma lasanha que há tempos não aparecia no meu cardápio! Abaixo as fotos do resultado, em que ainda estou com as mãos cheirando ‘à manjericão’ e com minhas papilas gustativas salivando, tanto pelas saborosas comidas do filme, como pela minha lasanha que estava deliciosa. Ah! E o detalhe é que eu não acerto os meus omeletes, mas quem sabe agora, depois de assistir o vídeo da Julia no youtube, eu me arrisco a tentar novamente…

lasanha de beringela

lasanha de beringela

lasanha de beringela

molho com azeite de oliva

lasanha de beringela

Bon Appétit!

4 thoughts on “Julia Child

  1. Eba!!!!
    Você é alguém que fala do “Simplesmente Martha” antes de falar do “Sem Reservas”. Amo Simplesmente Martha, tenho aqui em casa e já nem sei quantas vezes vi. Pena que pouca gente conhece.

  2. Oi Julia!
    eu também amooo o Simplesmente Martha! E soube a poucos dias sobre o remake com a Catherine Zeta Jones, e que por acaso vi na televisão e achei fraquinho, fraquinho!!
    Você já viu Soul Kitchen? Também é bem legal!
    Beijos e obrigada por comentar, Leila :)

  3. Eu também vi por acaso o sem reservas, comecei a assistir e pensei “estranho, conheço esse filme, mas não é esse!”. E apesar deles tentarem seguir a história, perdem todo o clima. O filme fica fraco. E o Simplesmente é tão lindo! Acho maravilhoso como eles constroem a relação da Martha com a Lina, a dificuldade diante do luto.
    Acho que não vi esse Soul Kitchen. Vi um há alguns anos que não consigo lembrar o nome, e o filme era fantástico! Vou ver se me lembro do nome desse que eu quero te indicar e vou procurar o Soul Kitchen pra assistir!

  4. É verdade, a relação entre as duas é construída de maneira maravilhosa, e o silêncio do filme me encanta. A frieza dos comportamentos e o calor das comidas dá um lindo contraste ao filme. Ahhh, agora fiquei curiosa!! Lembra de algum ator ou diretor do filme?

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