The Weather Project

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Em março de 2004, Olafur Eliasson preencheu o Turbine Hall (espaço aberto do Tate Modern, em Londres) com a instalação The Weather Project. Eliasson utilizou umidificadores de ar para criar uma fina névoa, misturando açúcar, água e um disco semi-circular composto por centenas de lâmpadas com luzes monocromáticas (geralmente utilizadas na iluminação pública) que irradiaram uma única frequência na cor amarela. O teto do grande hall foi coberto com um enorme espelho, no qual os visitantes podiam se ver como pequenas sombras negras contra uma massa de luz laranja. Este trabalho atraiu dois milhões de visitantes e muitos deles responderam a esta obra deitando-se no chão.

Os elementos básicos do clima – água, luz, temperatura, pressão – são os materiais utilizados por Eliasson ao longo de sua carreira, bem como também o tema “impacto, causa e efeito”. Introduzindo fenômenos “naturais”, seja numa rua pública ou numa galeria de arte, o artista incentiva o espectador a refletir sobre a compreensão e percepção do mundo físico em que está inserido. Este momento de percepção, quando o espectador faz uma pausa para considerar o que ele está experimentando, foi descrito pelo artista dinamarquês como ‘seeing yourself sensing’.

Eliasson vê o tempo – vento, chuva, sol – como um dos poucos e fundamentais encontros com a natureza, e que ainda podem ser experimentados nas cidades. O tempo é tema recorrente em muitas conversas cotidianas. No século XVIII, o escritor Samuel Johnson assinalou: “É comum observar que, quando dois ingleses se encontram, o primeiro assunto é sobre o tempo, pois eles estão com pressa para dizer uns aos outros o que cada um já deve saber, que é quente ou frio, ensolarado ou nublado, ventoso ou calmo”. Em The Weather Project, Olafur Eliasson leva este tema onipresente como base para explorar ideias sobre a experiência, mediação e representação. Ele também está interessado em como o tempo molda uma cidade e, por sua vez, como a própria cidade torna-se um filtro para experimentar o tempo. “Cada cidade negocia seu próprio tempo”, afirma Eliasson. E isto pode acontecer de várias maneiras, ou em vários níveis coletivos que vão desde experiências hiper-mediadas, como a previsão do tempo na televisão, ou então simplesmente ficar molhado enquanto se caminha pela rua num dia chuvoso. Um nível entre esses dois extremos seria alguém sentado e olhando para fora de uma janela para uma rua ensolarada ou chuvosa. A janela é como o limite de um encontro tátil com o exterior, um mediador da experiência em conformidade com o tempo exterior.

Este projeto também tem relação em como os museus mediam a recepção da arte. Em um museu, é oferecido aos visitantes uma série de informações antes mesmo dele ver uma obra de arte. Eliasson reconhece que esta informação influencia a experiência e compreensão da obra e neste projeto, ele decidiu direcionar esta mediação de modo que a experiência do trabalho fosse deixada incólume para o espectador. Então, ele fez um levantamento com os funcionários do museu e abordou uma série de questões que vão desde o cotidiano ao abstrato como: “Quantas vezes você discutiu o tempo hoje?”, ” Você acha que a ideia do clima em nossa sociedade é baseada na natureza ou cultura? “. Os dados estatísticos recolhidos a partir desta pesquisa foi usada na campanha promocional da exposição. Ao invés de fotografias da obra, simples declarações sobre o tempo podiam ser vistas em anúncios de revistas, táxis ou na internet. Eliasson escolheu com cuidado as informações que podiam prejudicar ou não influenciar a expectativa do visitante com a obra em questão: “Eu penso que muitas vezes há uma discrepância entre a experiência de ver com a expectativa do que estamos vendo. O benefício na divulgação dos meios com os quais eu estou trabalhando é que ele permite que o espectador compreenda a própria experiência como uma construção e portanto, em maior medida, se permite questionar e avaliar o impacto que esta experiência tem sobre ele.”

O envolvimento de Eliasson com a construção de sua instalação no museu ainda deu oportunidade aos espectadores para andar por trás do ‘sol’ e conhecer toda a infra-estrutura e fiação elétrica, bem como as máquinas de distribuição da névoa fina.

olafur

A preocupacão do artista com as informações que podiam prejudicar ou não influenciar a percepção de sua obra teve efeito não só para os visitantes que estiveram no museu, mas também ganhou um longo alcance: encontrei o trabalho deste artista fantástico quando li a frase acima impressa numa sacola plástica.

Olafur Eliasson é professor da Universidade de Artes de Berlim e em 1995 fundou o Institut für Raumexperimente, um laboratório experimental para a pesquisa espacial e também com o objetivo de ser um espaço interdisciplinar para gerar novos diálogos entre arte e o ambiente à sua volta.

Para conhecer mais: um vídeo sobre Eliasson e uma palestra com o título “The Sun Has No Money”, onde no minuto 35 ele fala sobre o The Weather Project .

2 thoughts on “The Weather Project

  1. Oi, tudo bem? Meu comentário não tem nada a ver com o post especificamente, sorry. Antes de mais nada, gostaria de dizer que adoro os Corrupios, fico realmente fascinado com sua criatividade e esmero. Sempre tive vontade de comprar um, mas as atuais circunstâncias financeiras não me permitem.

    Gostaria de saber se foi aqui que li uma notícia sobre um antigo dicionário/enciclopédia que foi reeditado, com os tipos originais e encadernação manual, tudo como se fosse antigamente. Algo sobre animais (pássaros, talvez) e que talvez fosse da Universidade de Oxford. Os tipos já estavam se perdendo, as figuras (desculpe, não sei se elas também são chamadas de tipos ou outro nome diferente). Lembro que tinha demorado um tempão e que tinha sido uma coisa bem crafter mesmo. Quando vi a foto do post “Estamos de volta” http://corrupiola.com.br/literarias/2818/estamos-de-volta.html me lembrei disso, por isso achei que tivesse visto aqui.

    Se não foi e você tiver ouvido falar nisso que escrevi, poderia me responder. Se nunca tiver ouvido falar, fica a dica, o video mostrando o processo era genial.

    Abraços e sucesso!

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