Eu tenho uma máquina de escrever IV

olympia

Olá,
Salve, salve 2010!!

O primeiro post do ano é dedicado à uma máquina. Devo muito à esta robusta Olympia, pois se não fosse por ela, não teríamos como escrever os cartões de natal da Corrupiola. De todas as máquinas que possuímos, ela foi a única a aceitar um papel 250gr em seu rolo, e como as coincidências acontecem… esta semana li um livro de Clarice Lispector e também encontrei este lindo texto onde a escritora relata o relacionamento com sua companheira de criação:

“Uso uma máquina de escrever portátil Olympia que é leve bastante para o meu estranho hábito: o de escrever com a máquina no colo. Corre bem, corre suave. Ela me transmite, sem eu ter que me enredar no emaranhado de minha letra. Por assim dizer provoca meus sentimentos e pensamentos. E ajuda-me como uma pessoa. E não me sinto mecanizada por usar máquina. Inclusive parece (?) captar sutilezas. Além de que, através dela, sai logo impresso o que escrevo, o que me torna mais objetiva. O ruído baixo de seu teclado acompanha discretamente a solidão de quem escreve. Eu gostaria de dar um presente à minha máquina. Mas o que se pode dar a uma coisa que modestamente se mantém como coisa, sem a pretensão de se tornar humana? Essa tendência atual de elogiar as pessoas dizendo que são muito humanas está-me cansando. Em geral esse humano está querendo dizer bonzinho, afável, senão meloso. E é isso tudo o que a máquina não tem. Sequer a vontade de se tornar um robô sinto nela. Mantém-se na sua função, e satisfeita. O que me dá também satisfação.”   (Clarice Lispector)

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Colhido em: Dois Espressos

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