Monthly Archives: September 2010

O Museu das Letras Perdidas

buchstabenmuseum.de

O Buchstabenmuseum (Museu de Letras) fica em Berlin e é um sonho para os tipógrafos. Inteiro dedicado à preservação de caracteres, o museu tem uma infinidade de signos antigos e novos, e visa preservar a qualidade artesanal dos letreiros.

Fundado em 2005 por Barbara Dechant e Anja Schulze, o espaço foi planejado para ser um museu no sentido tradicional, mas com apresentações não convencionais, pois atualmente há um depósito que também é um showroom, onde os interessados podem visitar as exposições durante o horário de funcionamento. Todas as letras ocupam apenas duas salas, mas considerando o grande número de visitantes, é provável uma futura expansão. A coleção conta com peças que vão desde pequenos letreiros de neon que ficavam sobre a janela de uma loja, até gigantes letras que estavam sobre a entrada de um parque ou estacionamento.

Portanto, se você encontrar um letreiro jogado ou abandonado, com sujeira ou pregos, lembre-se que ele pode ser doado para o Museu de Letras de Berlin!

buchstabenmuseum.de

buchstabenmuseum.de

buchstabenmuseum.de

Para saber mais: buchstabenmuseum, B like Berlin

– – – – – – –
Colhido em: Uppercase Journal, SwissMiss

Unfold

unfold-lamp muuto

A luminária pendente Unfold (desdobrar) oferece uma nova visão sobre o clássico design industrial. Elaborada a partir de uma suave, porém forte borracha de silicone, Unfold projeta uma personalidade moderna e acolhedora. O material soft também permite que a luminária seja manipulada como um pacote – basta abrir e desdobrá-la.

unfoldlamp-2

Disponíveis nas cores cinza, preto, azul, roxo e amarelo.

unfoldlamp-3

Unfold é uma criação da empresa Muuto new nordic design.

– – – – –
Colhido em: designboom

Mad Men

mad menSou viciada em séries americanas, britânicas, dinamarquesas ou whatever… quando gosto, ninguém me tira do sofá! E hoje este post é dedicado à Mad Men, uma das melhores séries que já assisti.

Há dois anos quando li sobre ela no blog Uppercase Journal, fiquei curiosa pela fotografia que ilustrava o post, onde havia uma enorme sala estilo anos 60, e minha curiosidade aguçou quando percebi que elas estavam lá… as máquinas de escrever. Mas foi somente no verão passado que tomei uma overdose de Mad Men e vi três temporadas inteiras em duas semanas. Hoje a série está em sua 4ª temporada e vem conquistando todos os prêmios na categoria “melhor série drama”, e não é à toa: Mad Men é escrita e produzida por Matthew Weiner, também escritor e produtor executivo do premiadíssimo drama Os Sopranos.

vintage-advertising

Para quem gosta da arte que existe dentro da publicidade, esta série tem um sabor especial. Ambientada na década de sessenta, o drama gira em torno dos conflitos de Don Draper (Jon Hamm), considerado o executivo mais criativo dos negócios publicitários de Nova York e de seus colegas da agência Sterling Cooper Draper and Pryce. A maior parte das personagens está dentro da agência de publicidade, num ambiente extremamente competitivo onde acompanhamos os conflitos entre clientes e executivos, que jogam e manipulam com seus egocentrismos. O conflito se dá também entre egos do departamento de arte e atendimento e neste contexto observamos o processo da criação de campanhas sem o uso do computador: slogans criados enquanto conversam, desenhos rascunhados e layouts finalizados manualmente, ou seja, a falta de tecnologia é “o” charme da série, sem contar o tilintar dos telefones com fio e os toc-tocs das máquinas de escrever como música de fundo.

Também é interessante ver como a Madison Avenue – o reduto das grandes agências norte-americana – tentava vender os produtos que até então eram novos no mercado, como por exemplo, o dilema de fazer vender um creme anti-acne para adolescentes, porque afinal, quem se preocupava com eles? As campanhas tabagistas também são bem abordadas nesta série, o cigarro era livre de qualquer proibição e as pesquisas sobre o câncer nem sequer eram cogitadas. Em um tempo onde as campanhas tinham o objetivo de criar sensações, um dos momentos mais incríveis da série é quando Draper cria o nome “Carrousel” para o disco rotatório dos aparelhos de slide.

madmen

No mundo convencional e machista desta época, os executivos não se importavam se as campanhas eram escritas por homens ou mulheres, porém foram as mulheres as mais valorizadas por sua capacidade de interação mútua e por isso você verá porque a personagem Peggy Olson é tão importante nesta trama.

madmen

No mundo de Mad Men, lugar de mulher é em casa (bem vestida) e cuidando dos filhos. Pensar em carreira profissional? Se a mulher tinha que trabalhar, ela iria viver e morrer como secretária que digita em uma máquina de escrever, fazendo as chamadas telefônicas do seu chefe, servindo seu cafezinho e misturando suas bebidas. Mulher divorciada (desquitada, lembra?) era tabu total. As mulheres eram discriminadas no ambiente de trabalho e não havia leis para o assédio sexual. O autor afirmou sem rodeios, que o ponto alto da série é mostrar como as mulheres eram maltratadas no passado, e a beleza está neste show porque sabemos como tudo isso vai mudar.

madmen

As mulheres na série são de fato exaltadas e a mais glamourosa é Betty Draper (January Jones), seguida da ambiciosa copywriter Peggy Olson (Elisabeth Moss), e a sexy gerente de escritório Joan Holloway (Christina Hendricks). O período vintage e fashion feminino da série é fascinante: o figurino é impecável nas roupas e acessórios que vestem os corpos cheios de curvas, e o estilo dessas mulheres cujas atitudes estão à frente de seu tempo é encantador, sujeitas a uma submissa e opressora força externa, que opunha a uma poderosa e interna força transgressora a ponto de explodir a qualquer momento.

madmen

madmen

Eu diria que vários são os pontos altos desta série, e um deles é o discurso silencioso que se faz pelas frases incompletas ou pelo segredo nos olhares. A direção de arte e de fotografia também são maravilhosas e não posso poupar elogios. Repare na foto abaixo, Betty Draper numa consulta ao ginecologista: as cores, a luz, os móveis e sua posição sobre o móvel enchem a cena de melancolia.

madmen

A cenografia é de tirar o fôlego para os apreciadores de objetos vintage! Note na foto abaixo o telefone amarelo, a televisão, a geladeira, cadeira, poltrona… enfim, tudo muito bem construído.

casa de peggy olson

E é claro, em todas as cenas elas estão lá, de todas as cores e de todas as marcas: as máquinas de escrever!

peggy olson

mad men

madmen

madmen

É intrigante observar este mundo dos anos 60 – antes do direitos adquiridos pela mulher, dos Direitos Civis ou da meia-calça – através dos nossos olhos do século 21. Historicamente, a série retrata a Pop Art, geração Beat, a era Nixon, a eleição e morte de John Kennedy, a crise dos mísseis cubanos e até agora, a preparação para uma possível Guerra do Vietnã. Este show é imperdível.

Para conhecer mais:
Don and Betty’s Paradise Lost, Vanity Fair
5 razões para você assistir Mad Men
Muitos e muitos anúncios vintage coletados por Jon Williamson