Monthly Archives: March 2010

25 Cats Name Sam and One Blue Pussy

sam

Você sabia que Andy Warhol foi um grande cat lover? Ele e sua mãe Julia Warhola amavam gatos e tiveram vários felinos, todos chamados Sam, exceto um que se chamava Hester.

warhol-catNa década de 50, antes de tornar-se um famoso artista pop, Warhol  trabalhou como ilustrador publicitário e artista gráfico. Durante este tempo, ele criou inúmeros desenhos de gatos para um livro com edição limitada:  25 Cats Name Sam and One Blue Pussy. O livro foi impresso em 1954 e as litografias de gatos acompanhavam a caligrafia de sua mãe Julia.

Aparentemente os gatos deste livro foram inspirados nas imagens do famoso fotógrafo de gatos Walter Chandoha, e não nos gatos do próprio Warhol. A edição original de 25 Cats… foi de 190 exemplares numerados (mas estima-se que concluídos foram menos de 150) e cada original foi colorido à mão. O livro tinha originalmente em seu título um “d” no que seria “named”, porém Julia, ao caligrafar deixou escapar a letra no título e Warhol manteve o erro. As cópias originais do livro foram presenteadas como brindes para clientes e amigos de Warhol. Em maio de 2006, um dos originais foi vendido por US$ 35.000.

Tanto Andy como sua mãe tinham tantos gatos, que os amigos recordam deles sempre doando gatinhos! Em 2009, um dos sobrinhos do artista pop, o jovem James Warhola, autor de livros infantis e ilustrador, lançou o livro Uncle Andy’s Cats. O autor conta que quando criança, adorava viajar para Nova York e visitar sua avó e tio, que viviam com seus 25 gatos siameses. “Eles fizeram os 25 Cats porque amavam seus gatos”, diz Warhola, “meu tio só gostava de desenhar e eu queria ser um pouco como ele “.

The Weather Project

theweatherproject

Em março de 2004, Olafur Eliasson preencheu o Turbine Hall (espaço aberto do Tate Modern, em Londres) com a instalação The Weather Project. Eliasson utilizou umidificadores de ar para criar uma fina névoa, misturando açúcar, água e um disco semi-circular composto por centenas de lâmpadas com luzes monocromáticas (geralmente utilizadas na iluminação pública) que irradiaram uma única frequência na cor amarela. O teto do grande hall foi coberto com um enorme espelho, no qual os visitantes podiam se ver como pequenas sombras negras contra uma massa de luz laranja. Este trabalho atraiu dois milhões de visitantes e muitos deles responderam a esta obra deitando-se no chão.

Os elementos básicos do clima – água, luz, temperatura, pressão – são os materiais utilizados por Eliasson ao longo de sua carreira, bem como também o tema “impacto, causa e efeito”. Introduzindo fenômenos “naturais”, seja numa rua pública ou numa galeria de arte, o artista incentiva o espectador a refletir sobre a compreensão e percepção do mundo físico em que está inserido. Este momento de percepção, quando o espectador faz uma pausa para considerar o que ele está experimentando, foi descrito pelo artista dinamarquês como ‘seeing yourself sensing’.

Eliasson vê o tempo – vento, chuva, sol – como um dos poucos e fundamentais encontros com a natureza, e que ainda podem ser experimentados nas cidades. O tempo é tema recorrente em muitas conversas cotidianas. No século XVIII, o escritor Samuel Johnson assinalou: “É comum observar que, quando dois ingleses se encontram, o primeiro assunto é sobre o tempo, pois eles estão com pressa para dizer uns aos outros o que cada um já deve saber, que é quente ou frio, ensolarado ou nublado, ventoso ou calmo”. Em The Weather Project, Olafur Eliasson leva este tema onipresente como base para explorar ideias sobre a experiência, mediação e representação. Ele também está interessado em como o tempo molda uma cidade e, por sua vez, como a própria cidade torna-se um filtro para experimentar o tempo. “Cada cidade negocia seu próprio tempo”, afirma Eliasson. E isto pode acontecer de várias maneiras, ou em vários níveis coletivos que vão desde experiências hiper-mediadas, como a previsão do tempo na televisão, ou então simplesmente ficar molhado enquanto se caminha pela rua num dia chuvoso. Um nível entre esses dois extremos seria alguém sentado e olhando para fora de uma janela para uma rua ensolarada ou chuvosa. A janela é como o limite de um encontro tátil com o exterior, um mediador da experiência em conformidade com o tempo exterior.

Este projeto também tem relação em como os museus mediam a recepção da arte. Em um museu, é oferecido aos visitantes uma série de informações antes mesmo dele ver uma obra de arte. Eliasson reconhece que esta informação influencia a experiência e compreensão da obra e neste projeto, ele decidiu direcionar esta mediação de modo que a experiência do trabalho fosse deixada incólume para o espectador. Então, ele fez um levantamento com os funcionários do museu e abordou uma série de questões que vão desde o cotidiano ao abstrato como: “Quantas vezes você discutiu o tempo hoje?”, ” Você acha que a ideia do clima em nossa sociedade é baseada na natureza ou cultura? “. Os dados estatísticos recolhidos a partir desta pesquisa foi usada na campanha promocional da exposição. Ao invés de fotografias da obra, simples declarações sobre o tempo podiam ser vistas em anúncios de revistas, táxis ou na internet. Eliasson escolheu com cuidado as informações que podiam prejudicar ou não influenciar a expectativa do visitante com a obra em questão: “Eu penso que muitas vezes há uma discrepância entre a experiência de ver com a expectativa do que estamos vendo. O benefício na divulgação dos meios com os quais eu estou trabalhando é que ele permite que o espectador compreenda a própria experiência como uma construção e portanto, em maior medida, se permite questionar e avaliar o impacto que esta experiência tem sobre ele.”

O envolvimento de Eliasson com a construção de sua instalação no museu ainda deu oportunidade aos espectadores para andar por trás do ‘sol’ e conhecer toda a infra-estrutura e fiação elétrica, bem como as máquinas de distribuição da névoa fina.

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A preocupacão do artista com as informações que podiam prejudicar ou não influenciar a percepção de sua obra teve efeito não só para os visitantes que estiveram no museu, mas também ganhou um longo alcance: encontrei o trabalho deste artista fantástico quando li a frase acima impressa numa sacola plástica.

Olafur Eliasson é professor da Universidade de Artes de Berlim e em 1995 fundou o Institut für Raumexperimente, um laboratório experimental para a pesquisa espacial e também com o objetivo de ser um espaço interdisciplinar para gerar novos diálogos entre arte e o ambiente à sua volta.

Para conhecer mais: um vídeo sobre Eliasson e uma palestra com o título “The Sun Has No Money”, onde no minuto 35 ele fala sobre o The Weather Project .

Bamboo Domino Game

domino

Uma alternativa ecológica para quem gosta do clássico jogo de Dominó: estas peças são esculpidas em bambu pela HaPé, empresa de brinquedos situada em Londres, com foco no desenvolvimento criativo e projetos sustentáveis.

Este jogo de Dominó e outros produtos sustentáveis estão disponíveis na loja virtual Olive & Myrtle. Lá você encontrará artigos de decoração, papelaria, bolsas e outros produtos amigos da natureza, e no site da Hapé você encontrará outros adoráveis eco-toys.

Gato sobrevive a um mês dentro de frigorífico

frisby

Um gato de um ano de idade sobreviveu a cerca de um mês trancado dentro de um frigorífico no condado de Northamptonshire, no sul da Inglaterra.

Frosty, como é conhecido agora, sobreviveu ao frio de -2ºC comendo ervilhas congeladas e bebendo o líquido que escorria das comidas armazenadas no frigorífico.

O porta-voz da empresa responsável pelo frigorífico informou que funcionários da empresa haviam visto o bichano há algum tempo, mas não conseguiram resgatá-lo porque ele se escondia. Então, eles pediram a ajuda da sociedade protetora dos animais britânica (RSPCA, na sigla em inglês), que conseguiu atrair o gato com leite e comida. Desde então, o gato que ganhou o nome de Frosty (“coberto de gelo”, em tradução livre) está sob os cuidados da entidade. “É incrível que Frosty tenha sobrevivido por tanto tempo em um ambiente tão inóspito”, disse Steve Sellars, porta-voz da RSPCA.

Mas o felino não saiu incólume do episódio. Seu rabo congelou e teve de ser amputado. Mesmo assim, Frosty parece estar se recuperando bem. “Ele é um gato adorável e se tornou muito brincalhão. Nós estamos trabalhando por sua total recuperação e para conseguir um novo lar para ele”, disse Sellars.
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Colhido em: notíciasUOL

"Os livros são muito ciumentos"

jose mindlin

Domingo passado faleceu um grande homem que dedicou sua vida aos livros: José Mindlin foi dono – ou depositário, como ele preferia se denominar – da mais importante biblioteca privada do país, que começou a formar aos 13 anos de idade. A esposa Guita (falecida em 2007) foi sua grande aliada na paixão pelos livros e criou a ABER, com o objetivo de congregar profissionais e entidades ligadas à conservação e restauração dos livros, documentos impressos, manuscritos e à encadernação artesanal. Parceiros e cúmplices, o casal formou um acervo com mais de 40 mil títulos, entre os quais muitos raros ou únicos, reunidos em sete décadas. Um dos livros mais antigos da biblioteca é uma edição dos Triunfos de Petrarca, de 1488, obra típica do Renascimento, foi impressa em trapos de pano que até hoje exibem excelente conservação — muito superior à do papel industrial do século XIX.

Além da grandeza de uma obra de sonho, a biblioteca de Guita e José Mindlin é tocada pela grandeza da generosidade do casal: a Coleção Brasiliana, um acervo de mais de 17 mil títulos que tratam somente de cultura brasileira, foi doada à Universidade de São Paulo em 2006 e hoje é um patrimônio de todos os brasileiros. A biblioteca possui os primeiros exemplares da Imprensa Régia no Brasil no início do século XIX; coleções (hoje raríssimas) de revistas científicas do século XIX e XX; peças curiosas como a primeira edição de Os Lusíadas; documentos do séc. XVI com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil; os originais de Sagarana de João Guimarães Rosa; Vidas Secas de Graciliano Ramos etc. Enfim, uma biblioteca cuja notória brasiliana tornou-se conhecida no país e no estrangeiro como uma coleção única, obra de uma vida de dedicação à cultura brasileira e suas manifestações.

O ex-libris (selo pessoal colocado em livros) de José Mindlin, identificava quem foi o empresário, intelectual e acadêmico: “Je ne fait rien sans gayeté”, ou “não faço nada sem alegria”. A escolha da máxima de Montaigne foi retirada de seus Ensaios, da qual a biblioteca tem um raríssimo exemplar de 1588, que pertenceu ao crítico Saint-Beuve. Quando lhe perguntaram qual o seu livro preferido, Mindlin respondeu: “os livros são muito ciumentos e eu não posso falar em preferências, porque vou ter problemas com eles”. O empresário ensinou que a mais importante qualidade de um bibliófilo não é a fortuna ou a erudição, mas a paciência. O importante é o prazer da leitura, e resumiu seus sentimentos numa frase: “Num mundo em que o livro deixasse de existir, eu não gostaria de viver.”

Viver entre livros é habitar um mundo estranho. Eles parecem pertencer ao reino dos objetos inanimados, mas essa é só uma falsa impressão. Os livros contam histórias e declamam poesia, amam e odeiam, educam, alegram e também traem. Embora possam ficar abandonados por anos a fio, são seres quimicamente vivos, matéria em movimento. Exposto à luz natural, o papel torna-se ácido e áspero, as letras perdem o viço e a cor. Manuseado sem o devido respeito, a estrutura arrebenta, a encadernação se fratura. Quando a capa é de couro, deve ser polida com cera, o remédio mais seguro contra a poluição das cidades e a gordura da cozinha. As páginas devem ser limpas, uma a uma, com um pincel bem macio, ao menos uma vez por ano.”

Afinal, a gente passa, mas os livros ficam.”   (José Mindlin, 1914-2010)

fotos de Cristiano Mascaro

Desde o dia 16 de junho de 2009, parte do acervo da Biblioteca Brasiliana da USP está on-line e acessível aos usuários da internet, disponibilizando 3 mil documentos, dos 40 mil volumes do acervo da biblioteca Guita e José Mindlin. A universidade afirma que ainda não há uma data para que todo o acervo doado seja escaneado e colocado na internet. Além disso, a Brasiliana USP está construindo um moderno edifício de 20.000 m2, no coração da Cidade Universitária em São Paulo.

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Colhido em: quero morar numa livraria; blog do Insituto Sergio Motta; Revista da Cultura; ABER.