Monthly Archives: February 2009

Suddenly, It’s Real!

Suddenly, It’s Real

suddenlyNatalie Wright e Ben Floeter formam um casal crafter cheio de estilo. Eles vivem com o gato Olive numa pequena casa construída em cima de uma árvore, na floresta de Wisconsin, centro-oeste norte-americano. O casal tem conquistado grande sucesso no mundo craft com a Suddenly, It’s Real!.

Ben trabalha com marcenaria e cria lindas peças em madeira como iô-iôs, chaveiros de parede, placas e outros objetos artísticos. Natalie trabalha com tecidos e costura. Sua nova coleção de aventais vintage Nacymom são incríveis!

O casal é bem-humorado. Numa entrevista ao site Etsy (um portal mundial de vendas de produtos craft e vintage), eles contam que se apaixonaram quando o veleiro “Beja Flor” de Natalie naufragou numa pequena ilha no Pacífico Sul e Ben era o único habitante humano daquele lugar! Como eles promovem seu trabalho morando numa floresta? Ben responde que é através do skype, pombos correios, sinais de fumaça, códigos secretos, mensagens subliminares, código morse, pintura corporal, só para citar alguns meios de comunicação.

Quando perguntados sobre o que fazem quando não estão criando, eles respondem: Gastamos a maior parte do nosso tempo kicking ass e dentre outras coisas, andando de bicicleta, ao menos quando não está vinte graus abaixo de zero!

Ben e Natalie, que já vieram ao Brasil duas vezes, sonharam com o dia em que seus trabalhos caminhavam unidos ao seus estilos de vida, e… “De repente, é real!”. É mesmo.

natalie + ben

A Arte Invisível

a-arte-invisivel

No post anterior, Lars Müller comentou sobre o ritmo de leitura de um livro visual. Um livro, composto por imagens ou não, carrega consigo regras básicas que devem ser respeitadas pelo designer no momento de sua criação.

Sobre este tema, um livro formidável que considero uma de minhas “bíblias do design de livros” é A Arte Invisível, da Ateliê Editorial. Organizado por Plinio Martins Filho, doutor em editoração pela USP, atuante no mercado editorial há mais de 35 anos e atual diretor-presidente da Edusp.

O leitor, na maioria das vezes, não pensa na tamanha importância que um designer deve ter nas escolhas gráficas e tipográficas quando cria o projeto de um livro; e essa preocupação é o que faz de um livro ser considerado melhor, mais bonito, fácil de ler, entre outras qualidades. A Arte Invisível é um conjunto de citações de especialistas sobre o design e a edição de livros; com frases significativas e inspiradoras, o pequeno volume mostra-se grande desde sua abertura.

Leia abaixo alguns tesouros do design editorial, por Richard Hendel:

O trabalho real de um designer de livro não é fazer as coisas parecerem “legais”, diferentes ou bonitinhas. É descobrir como colocar uma letra ao lado da outra de modo que as palavras do autor pareçam saltar da página. O design de livro não se deleita com sua própria engenhosidade; é colocado a serviço das palavras. Um bom design só pode ser feito por pessoas acostumadas a ler – por aquelas que perdem tempo em ver o que acontece quando as palavras são compostas num tipo determinado.”

O design de livro não é uma dessas artes que permitem uma criatividade infinita e irrestrita.”

Não é somente o que o autor escreve num livro que vai definir o assunto do livro. Sua forma física, assim com sua tipografia, também o definem.”

Conversa com Lars Müller

why the hell...

Lars Müller é um designer suíço muito respeitado no universo das publicações sobre design gráfico, arquitetura e fotografia. É o autor do livro Helvetica: Homage to a Typeface Book; lidera a Lars Müller Publishers e leciona na Hoschschule für Gestaltung, em Basel. Em novembro de 2008, Müller palestrou em NY e o site Swissmiss publicou uma parte desse encontro. Traduzo* aqui alguns trechos que me parecem pertinentes:

Lars começou sua apresentação com a pergunta: Why the hell do all designers want to design books? e contou sobre sua primeira experiência editorial e total responsabilidade por um produto. “Quando você é seu próprio cliente, você realmente tem que fazer esse estranho auto-diálogo consigo mesmo. Você sempre tem que tentar antecipar as expectativas de seu público”.

Ficou claro, a partir de seu discurso, que Müller sempre acumula uma estreita relação com o assunto, o autor ou o artista do livro. E essa relação é o que ele tem mantido até agora independentes. Ele explica que faz livros com os amigos ou que os autores dos livros tornam-se amigos, “este é o privilégio de um único homem negociando”.

Müller lembra que reunir o conteúdo de um livro é um grande processo e parte da concepção de um livro. Ele admite que cada livro que publica tem um pequeno apontamento biográfico ou uma relação com algo que desempenha em sua vida. Ele vê o designer como um “ser político”. “Os designers tendem a escapar para o nicho da beleza. Damos um valor para o que fazemos, mas de alguma maneira a consciência política desaparece”. Müller começou a pensar sobre as possibilidades e as capacidades que ele tinha ao trazer a message across com o seu trabalho. É este pensamento que o levou a criar o livro The Face of Human Rights. A ideia visual desse livro foi de expressar a normalidade como a melhor expressão dos direitos humanos, a cada dia; a liberdade, um comportamento normal.

Outro comentário foi a sua reflexão sobre o ritmo de leitura: “Quando você olha através de um livro visual, você entra no ritmo dele e começa a respirar em um determinado ritmo e, assim, a leitura não deveria interromper este ritmo”.

Müller lembra como a edição de imagens de um livro é o design work. “Nunca espere que um editor de imagens forneça tudo para você. Envolva-se no processo de edição. Celebre as imagens que você gosta!”

helvetica-book

* aviso que meu inglês não é 100%!!

Colhido em: Swissmiss

Animal child

kitty

Bestia parvulus ou “criança animal” é uma série de imagens que mostram crianças usando máscaras de animais. A autora Pamela Klaffke é fotógrafa e romancista, e trabalhou também como estilista e produtora de cinema e vídeo. Pamela tem suas fotografias publicadas em revistas de arte internacional, e as imagens de seu Bestia Parvulus foram licenciadas pela marca de moda Diesel.

Pamela é fundadora e diretora da Secret Society of Analogue Art, uma organização que encoraja a criação da fusão analógica e digital nos meios de comunicação, oferecendo uma série de desafios sobre arte participativa na sociedade, com por exemplo, o projeto creepywonderful.

Com exceção da foto cuniculus (coelho), fotografada com filme 120 Agfa vencido, a série Bestia parvulus foi realizada com filme fujichrome Astia 120 em cross-processed, e com uma câmera Holga.

Veja aqui o flickr da autora.

surprise

Sistema de Animação, 2008

sistema animacao

Lançado em outubro num evento memorável onde reuniram-se, num só lugar, os grandes nomes da música instrumental brasileira, o filme/documentário Sistema de Animação, de Guilherme Ledoux e Alan Langdon agora brilha pelos festivais brasileiros e mundiais.

Produzido de forma totalmente independente, o documentário tem como alvo principal o músico Lourival José Galiani, vulgo “Toucinho da Batera”, um dos maiores bateristas de Santa Catarina e uma lenda viva do cenário musical brasileiro. Foram 5 anos de filmagem e captados à base do improviso, onde os diretores Alan e Guilherme (amigos de infância e em parceria criativa desde 1997) misturaram-se à trama, interagindo com o personagem quase o tempo todo, em variadas localidades de Florianópolis. A edição é de um ritmo requintado e vibrante assim como a musicalidade de Toucinho.

S.A. pulsa com as histórias folclóricas e hilárias, e as diversas situações inusitadas em que Toucinho se envolve. É um encontro do espectador com o neurônios contagiantes desse artista que revela a sua realidade, a filosofia, o dia-a-dia criativo e rodeado por suas peripécias intelectuais. No meio da trama descobre-se, enfim, qual é o sistema de animação que move o personagem, um “artista improvisador equilibrando-se com humor entre a arte e a sobrevivência, numa complexa condição nem sempre simples (ou possível) de explicar” – revelam os diretores.

Além da boa música, o espectador encontrará participações do meio musical como Nenê Batera, Alegre Corrêa, Gringo Saggiorato, Alessandro “Bebê” Kramer, Cássio Moura, Luiz Meira e Guinha Ramires.

Assista abaixo ao trailer de divulgação do filme: