Monthly Archives: November 2008

Dias melhores virão

Tem dia que fica bem difícil fazer charge. Hoje, por exemplo, lendo sobre uma tragédia, número de mortes aumentando, gente perdendo tudo e a chuva que continua a cair.”

Essas são as palavras do Frank Maia, chargista e camarada, que mesmo com tanta desgraça, não deixa a peteca cair.

É difícil escrever com tanta tragédia acontecendo em nosso Estado. Deixo aqui a dica do texto A catástrofe e o turismo, escrito pelo Aleph no blog Bruxismo, com alguns paradoxos e ironias sobre esta enchente, e também um alerta para possíveis golpes de e-mails com falsas solicitações de ajuda e doações.

Esperamos por dias melhores. Eles virão.

UPPERCASE journal

Para quem curte o universo vintage, uma boa dica é o blog UPPERCASE journal, escrito pela canadense Janine Vangool, diretora da Vangool Design + Typography e autora do livro Work/Life: the UPPERCASE directory of Canadian Illustration & Photography, publicado este ano.

No UPPERCASE journal você encontrará os criativos produtos exclusivos criados por Janine, e uma ótima galeria de ilustradores, livros, crafts, papergoods e tudo o que se relaciona com o mundo do design e ilustração. Desde sua abertura em 2005, o Uppercase journal tem hospedado exposições de alguns notáveis talentos canadenses, como Aaron Leighton, Renata Liwska, Camilla Engman, e alguns outros não canadenses como Christopher Silas Neal e Lisa Congdon.

Mas se você partilha um amor por máquinas de escrever, um dos tesouros do blog é a categoria typewriters, criada pela motivação de Janine em fotografar sua coleção vintage de fitas para máquinas de escrever, e que hoje armazena uma coleção de preciosidades relacionadas às typewriters. Além de fotos, livros e artigos, há também criativos eventos como a Typewriter Week (um convite para o leitor enviar suas próprias fotos, links e informações sobre suas máquinas de escrever); e o Typewriter Club: uma reunião que acontece aos sábados, onde os amantes das máquinas se encontram para conversar, ler e escrever.

Literatura de viagem

Sou fascinada por trilhos e trens, e certa vez um amigo deu esta dica de leitura: O Grande Bazar Ferroviário – de trem pela Ásia (Objetiva).

O Grande Bazar… é um passeio delicioso! Conduzido pelos elegantes vagões do Expresso Oriente, ou pelos vagarosos trens indianos, a narrativa é pontuada por várias situações inusitadas e observações sobre os países em que o autor perpassa, como por exemplo o Vietnã, onde as marcas deixadas pela guerra contra os Estados Unidos ainda eram recentes.

Publicado originalmente em 1975, o escritor americano Paul Theroux parte de Londres, segue pela Itália, pela antiga Iugoslávia e Bulgária até a Turquia. Atravessa o Irã, Afeganistão e Paquistão até chegar à Índia. Adentra o Extremo Oriente pela Birmânia e passa pela Tailândia, Malásia, Cingapura, Camboja e Vietnã. Viaja com os trens-bala do Japão e o final de sua jornada acontece no interminável trajeto a bordo do mítico Expresso Transiberiano, cruzando as paisagens frias e desoladas do interior dos países que faziam parte da União Soviética.

Logo no começo do livro o autor revela: “Eu procurava trens; encontrei passageiros”. Famoso por seus relatos de viagem, Theroux não é um viajante de folhetos de agência, com os  clichês e estereótipos de um turista. É um observador na tradição dos grandes escritores-viajantes.

Deixo aqui um trecho do livro:

desde criança, quando vivia perto da via férrea de Boston e Maine, raras vezes ouvi silvo de um trem sem sentir o desejo de estar nele. Os apitos dos trens eram como um música encantada: as ferrovias são irresistíveis bazares, serpenteando perfeitamente nivelados qualquer que seja a paisagem, melhorando seu estado de ânimo com sua velocidade sem jamais derramar seu drinke. O trem pode inspirar segurança em lugares muito desagradáveis… Se um trem é grande e confortável, pouco importa seu destino; um assento num canto basta, e você pode ser um daqueles viajantes que permanecem em movimento, em cima dos trilhos, e nunca chegam nem sentem que precisam chegar…

E agora espera-se pelo lançamento no Brasil de outro livro de Theroux, The Old Patagonian Express: By Train Through the Americas, onde ele viaja de trem desde Boston até a Patagônia e enquanto esteve na Argentina, passa 2 dias com o escritor Jorge Luis Borges conversando sobre literatura.

Obrigado pela dica, Ben-Hur!

Underground… and ground

Se você quer passear pelas estações de metrô da capital londrina e arredores sem dar um passo, uma boa dica é visitar o flickr do autor desconhecido Bowroaduk. Seu projeto para 2008 é fotografar cada estação Underground, bem como seus exteriores em boas condições de iluminação.

O registro fotográfico de Bowroaduk é fantástico porque além das fotos das novas estações, há também as estações antigas, como as Leslie Green stations, de 1900; os Tube Stocks, de 1938; clássicas e modernas sinalizações; os roundels das plataformas e os depósitos ferroviários. O fotógrafo anônimo ainda estende seu olhar para as construções vitorianas e vai além com o SPT de Glasgow e o U-bahn de Berlim. Recomendo tempo e fôlego extra para apreciar todas as fotos, pois ir até Londres e passear pelas suas estações sem sair da cadeira requer no mínimo paciência.

O interesssante e curioso sobre este fotógrafo é como ele consegue tirar todas as fotos sem uma única alma humana, exceto pelos condutores. Será ele um funcionário do Underground?

E pesquisando mais sobre o mesmo assunto, cheguei até o blog coletivo London Underground, com dicas, reflexões e muitas fotos das pessoas que habitam os subterrâneos ingleses. Diferente da paisagem e arquitetura monocromática das estações vazias, as fotos deste blog são muito coloridas e divertidas, ainda mais quando a atenção é para aqueles que se sobressaem na multidão. Lá você também verá os adesivos Wake me up at ilustrados abaixo, uma idéia útil para tornar o cochilo mais tranquilo durante o percurso.

E terra acima, para quem aprecia os estilosos Red Route Buses, Matthew Wharmby coleciona belas fotos dos ônibus que estão ou saíram de circulação.

Bom passeio!