Monthly Archives: May 2008

Gatos por Artur da Távola

Quem diz que gato é arrogante, egoísta, sa­­fado e espertalhão não conhece um gato. Gato é zen, é Tao, vê além do ho­mem e relaciona-se com a essência. Exige respeito pe­la sua individualidade, mas também sabe res­pei­tar a dos que o cercam.

Não pede amor, mas é e­xigente com quem ama e exige retribuição. Dis­creto, quando manifesta afeto é muito verdadeiro.

Se o homem não sabe ver o gato, o gato sabe ver o ho­mem. Vê mais, vê dentro, vê além. O gato é uma lição diária de harmonia, equilíbrio e fidelidade. Suas manifestações são íntimas e profundas, vive do verdadeiro e não se ilude com aparências.

Em toda a natureza, nin­guém aprendeu a bastar-se como um gato!

(Adaptação do texto de Artur da Távola [03/01/1936 — 09/05/2008])

A vida dos outros

Esta semana assisti ao premiado longa alemão Das Leben der Anderen (A vida dos outros, 2006) e pesquisando sobre ele aqui na net encontrei no escrevercinena uma lista de filmes alemães sobre o mesmo tema: um país dividido pelo muro de Berlim, sua queda e sua reunificação. Acho pertinente que este seja um dos principais temas do cinema alemão contemporâneo, já que muito se falou sobre a II Guerra, e não desmerecendo a sua importância, é um tema pra lá de comentado e romanceado. Porém pouco se discutiu sobre suas consequências. Noutro dia, minha professora de alemão contou que, quando viveu na Alemanha Ocidental, seu ex-marido (um pastor luterano) foi convidado a visitar uma igreja na então Alemanha Oriental e o pastor de lá pediu para que eles levassem papéis em branco. Ao chegar na fronteira, o policiamento era tão severo, que durante a inspeção quase desmontaram o carro em que estavam. Ela disse que não foi uma experiência nada agradável e que confiscaram todos os papéis em branco porque era considerado subversivo. Esta é somente uma das tantas histórias sobre esta fronteira que foi, ao mesmo tempo tão estreita e tão difícil de passar.

A história de A vida dos outros se passa em 1984, na antiga DDR (República Democrática Alemã ou Alemanha Oriental), cinco anos antes da queda do muro de Berlim. Na extinta república, o governo oriental buscava assegurar seu poder através do sistema de controle e vigilância permanente sobre os cidadãos e, inserido neste contexto, o dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch) e sua companheira e atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck) viviam em meio à elite intelectual, porém sem liberdade de expressão e criando apenas o que o governo lhes permitia. Nesta época vários intelectuais cometeram suicídio e esta notícia vazou na imprensa ocidental, chamando a atenção mundial. Com isto, o governo passa a desconfiar do dramaturgo e coloca um fiel agente do sistema, o protagonista do filme, Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) para vigiar e coletar evidências contra o dramaturgo e sua companheira. Entretanto, esta “operação”, cheia de escutas e de microfones ocultos leva a um outro desdobramento: ao submergir na vida dos observados, o agente passa por mudanças profundas e descobre um mundo desconhecido, ao qual tantas pessoas dentro do regime tentavam até então ignorar.

Este filme, mesmo sendo direto e frio (o que é comum nos filmes alemães) é envolvido pela arte e suas formas de pensar e se expressar e, é aí que o filme torna-se tocante, porque nos faz conscientes de que a arte tem a mais rica das funções: enriquecer a nossa própria existência.

Let's LOMO

Próxima quinta-feira, dia 8, é a abertura do projeto Let’s LOMO em São Paulo, capital. O projeto é uma exposição coletiva (estou incluída) e itinerante com imagens fotográficas capturadas pelas câmeras Lomo. Além da exposição, no dia 10 (sábado) acontecerá o Congresso Lomográfico na Coletivo Galeria em Pinheiros.

Infelizmente não poderei estar lá, mas para quem estiver em São Paulo é uma boa dica. Os lomógrafos brasileiros são muito bacanas e o evento terá Lomowalk, Workshop de Gambiarra com o professor-pardal-das-lomos Julio França e mesa redonda sobre Lomografia com Ana Paula Hiromi, Alexandre Dalbergaria, Luciano Munhoz, Fernanda Antoun e Damião Santana. E com certeza, terão muitas outras mesas redondas pelos botecos da cidade!

Organizada pelo coletivo RecifeMostraLOMO, o projeto pretende dar mais visibilidade à produção lomográfica brasileira e valorizar a essência do olhar fotográfico e a experimentação que o fundamenta. No site do evento tem mais informações.