Monthly Archives: April 2008

O novo conto catarina

É hoje, dia 29 de abril, às 19 horas no Hall da Reitoria da UFSC em Florianópolis, o lançamento do livro “O novo conto catarina”, organizado pela Regininha Carvalho. Escritores nascidos entre 1943 e 1984, a maioria em território catarinense, estão no livro. “O ‘novo’ diz respeito tanto à idade dos autores, na maioria dos casos nascidos nos anos 70 e 80 – e que estão, portanto, na faixa dos 25 aos 35 anos –, quanto ao ineditismo de seus textos. E o ‘catarina’ refere-se a contistas naturais do Estado ou que adotaram Santa Catarina e trazem nossa terra como pano de fundo”, assinala a organizadora.

Quem está no livro: Adriano Marcelo de Souza, Aleph Ozuas, Ana Paula Fehrlen, Camille Bropp, Carlos Henrique Schroeder, Charles Silva, Clarmi Regis, Dauro Veras, Denise Ravizzoni, Dennis Radünz, Egídio Mariano do Nascimento, Fernando Floriani Petry, Francisco Orlandi Neto, Inês da Silva Mafra, Isadora Pamplona Genecco Moreira, Ivan J. Panchiniak, Jaime Ambrósio, Ludmila Gadotti Bolda, Maicon Tenfen, Marco Vasques, Moacir Loth, Raquel Wandelli, Renato Tapado, Rodrigo Schwarz, Rubens Lunge, Sigval Schaitel, Suzana Mafra, Vanessa Clasen, Vera Maria Flesch, Werner Neuert e Willian Vieira.

A edição fecha as comemorações dos 25 anos da EdUFSC e parte dos 6.000 exemplares será distribuída à comunidade universitária. Estão todos convidados!

A gota d'água da cultura catarinense

Foi literalmente a gota d’água para a cena cultural catarinense: a exposição “Coleção Gilberto Chateaubriand: um Século de Arte Brasileira” que reúne 170 obras do maior colecionador particular do país e traça um panorama da arte nacional durante o século XX tinha sua abertura marcada para a semana que passou, dia 22, mas foi adiada por prazo indeterminado devido às goteiras do Masc. Há muito tempo que as goteiras fazem parte do acervo do museu e, se “a causa das goteiras foi um rasgo na manta de impermeabilização ocorrido durante um conserto no ar-condicionado em 2006″ como declarou a diretora da FCC, então este “conserto” foi uma bela-obra-mal-feita, porque não existem um ou dois pontos de goteiras, e sim vários. Em visita ao Masc, presenciei cenas lamentáveis em dias de chuva: baldes espalhados pelas salas da administração do museu e funcionários realocando mesas de trabalho para que papéis não virassem sopa. É esta a situação lamentável em que vive o museu do nosso Estado. Já faz muito tempo que a administração do Masc reinvindica reformas, mas parece que o governo estadual não vê o museu de arte como o espaço da organização histórica da arte, mas sim como uma instalação temporária ou invisível.

As goteiras do Masc são somente um dos sintomas da nossa política cultural catarinense. Desde que o atual governo foi eleito, parece que toda a atenção cultural se volta somente para o Bolshoi em Joinville, que é o único cartão-de-visita-cultural-de-exibição do governador em suas viagens ao exterior. A cultura catarinense vive um retrocesso desde que o atual governo juntou a cultura, o esporte e o turismo numa só secretaria.

A crise cultural em Santa Catarina é tão grave que em junho de 2007 o Decreto 406 alterou a Lei nº 13.336 fez com que um produtor cultural catarinense, além de ter que captar o recurso para o seu próprio projeto, é obrigado também a captar recurso para o governo (o Funcultural), ou seja, o proponente é captador não só para o seu projeto aprovado, mas também para projetos do próprio governo que deveriam ser objetos de dotação orçamentária e jamais concorrer com os produtores. Este ato fere diretamente as condições de criação e produção artísticas. A Fundação Catarinense de Cultura (FCC), por exemplo, já é financiada com recursos do Funcultural, numa inversão da lógica dos fundos de cultura e mesmo das leis de incentivo.

Em entrevista ao Anexo do dia 19 de outubro de 2007, o secretário de turismo, cultura e esporte Gilmar Knaesel foi questionado sobre “se existem recursos para aplicar no setor, porque chove dentro do Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis” e ele respondeu que “já há uma solução para esta obra. Nós temos que recuperar este vazio de quatro anos que nós pouco investimos na infra-estrutura porque nós não tínhamos recursos.” Mas parece que não faltam recursos, pois o próprio Funcultural destinou uma verba de 400 mil reais só para esta exposição “Coleção Chateaubriand”, cujas obras de nomes consagrados como Lasar Segall, Portinari, Oiticica e Lygia Clark não previam as goteiras. Hoje estas obras estão dentro das caixas e sem público para admirá-las e na melhor das hipóteses a exposição vai acontecer dentro de alguns dias e depois de um ou dois meses irá para outro museu, porém, as goteiras vão ficar e o Masc continuará sua batalha, esperando pelos investimentos sempre prometidos, mas que nunca “pingam”.

As magrelas estão na moda

O novo sistema de transportes implantado em Paris, o Vélib’, está fazendo sucesso não só nas ruas, mas também no mundo fashion e está dando o que falar… Karl Lagerfeld, o estilista da marca Chanel criou uma bicicleta chiquérrima que carrega o nome da grife, é a “Vélo Chanel”. O preço? Só 22,8 mil reais!! Tudo isso por uma bicicleta que oferece, além do design especial, duas bolsinhas de couro matelassê preto para guardar objetos, correia com proteção de couro para evitar contato com as pernas e oito velocidades. O luxo ainda possui um dispositivo anti-roubo e os pneus não furam. O modelo limitado pesa 16.5 kg e tem aro em alumínio.

A bicicleta foi criada como parte da coleção primavera verão 2008 para celebrar as raízes da grife francesa, influenciada pela paixão de Coco Chanel por esportes. Outro estilista que lançou uma griffe de magrelas no mercado foi o supercool Paul Frank e alguns modelos da coleção estão na foto ao lado; outro sucesso do novo mercado fashion-ciclístico é o da griffe Gucci, na foto abaixo.

Fora o preço e as futilidades agregadas, o que vale é que as magrelas estão na moda, e isto é muito bom! A prática saudável de andar de bicicleta está ganhando popularidade a cada dia e o melhor exemplo disso são as Vélib de Paris, que atraem representantes de outras grandes metrópoles interessadas na mesma idéia de aluguel, como Londres, Chicago e Washington. Os novos mercados são disputados acirradamente por concessionárias e os serviços são disponibilizados em cidades da Suécia e Noruega; em Lion, Tolousse, Marselha, Bruxelas, Sevilha, Viena, Luxemburgo, entre outras. A cidade de Barcelona também adotou o serviço de aluguel de bikes, batizado de Bicing e já é sucesso de público. Agora é só esperar um par de anos para esta idéia chegar ao Brasil…

O silêncio de Candida Höfer

A artista alemã Candida Höfer registra espaços onde a mistura de diferentes épocas se encontram. Desde 1979 Candida fotografa espaços públicos ou semipúblicos como igrejas, hotéis, salas de espera, auditórios e teatros. Muitas das fotografias de Höfer são dedicadas às bibliotecas e museus, estes que são centros da vida cultural, “onde a cultura é categorizada, administrada, guardada e exposta” (Höfer). As mais lindas bibliotecas de todo o mundo podem ser vistas na publicação “Libaries”da editora Thames and Hudson e com prefácio de Umberto Eco.

Os interiores fotografados por Höfer são locais de transição, organização e conhecimento e raramente os espaços fotografados incluem seres humanos. A presença humana é apenas sentida indiretamente, embora ela esteja sempre lá inscrita na matéria e na memória de quem habitou estes edifícios ou de quem os ergueu, passou ou hoje deles usufruem.

Admiro o trabalho desta artista porque além do tema proposto entre o público e o privado, o silêncio e os templos sagrados de livros, é a luz natural que prevalece em suas fotografias. Obras completamente desprovidas de pessoas, esta é a marca, o registro e o rastro do Höfer, cuja obra irradia uma serenidade reconfortante, em que o silêncio e o vazio predominam.

As imagens acima são das bibliotecas: Trinity College Library Dublin, Biblioteca de la Real Academia de la Lengua Madrid e La Bibliothèque Nationale de France, Paris. A foto abaixo é da British Library, em Londres.

Entre Linhas – Escritores e Gatos

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No programa Entre Linhas da TV Cultura passou uma reportagem muito legal sobre a paixão dos escritores por gatos. Depoimentos de Lourenço Mutarelli, Luiz Ruffato, imagens de arquivo dos poetas Haroldo de Campos e Ferreira Gullar, e também algumas frases sobre felinos, como esta de Machado de Assis:

O gato que nunca leu Kant, é talvez um animal metafísico.”

O vídeo está acessível no site do programa. Vale à pena conferir!

Ceský Sen

ceskysenposter.jpgDia desses soube que um colega foi trabalhar com publicidade no Cazaquistão. Ele disse que por causa da abertura do capitalismo naquela região as oportunidades de trabalho cresceram e paga-se muito bem pela mão-de-obra especializada.

Cazaquistão me lembra Borat, mas este episódio me lembrou também um documentário muito interessante sobre o poder da publicidade numa sociedade pós-comunista. O documentário em questão é Sonho Tcheco (ou Czech Dream – Cesky Sen, 2003) filmado todo em Praga, na República Tcheca. Trata-se de dois estudantes de cinema que inventaram uma enorme campanha publicitária para um hipermercado que nunca existiu. Criaram tudo o que uma grande campanha exige, desde slogans, música e folhetos até pesquisas especializadas sobre consumo. O engraçado é que o slogan da campanha era Don’t come, don’t spend, don’t fight!

É impressionante o processo de construção do imaginário dessas pessoas iludidas pelo consumismo e como a propaganda é uma poderosa ferramenta transformadora de opiniões. “Eles mentiram sobre algo que nem existiu, mas quantas vezes nos sentimos enganados por produtos que são reais”?

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Arte em livros

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O artista Mike Stilkey vive e trabalha em Los Angeles, Califórnia, e é um amante de livros. Durante anos comprou livros em sebos para usá-los algum dia, por alguma razão. Hoje, o artista utiliza os livros como suporte para suas obras, e não só as páginas dos livros, mas o livro em si, dentro ou fora, compondo também em suas lombadas.

stilkey03.jpgO artista retrata a melancolia de suas figuras dentro de narrativas de fantasia e contos de fada. Em suas obras incluem seres humanos (homens cansados do mundo e mulheres com aura de decadência e erotismo) e um repertório de animais humanizados como girafas boxeadoras, pombos pensativos, cavalos minúsculos e gatinhos gorduchos.

Quando Stilkey exibiu pela primeira vez sua escultura de livros, foi surpreendido com as reações do público ao verem livros velhos usados como superfície para a pintura, “todo mundo via a escultura de livro e queria tocá-la,” disse Stilkey, “em grande escala é mesmo visualmente intenso, e cheira como uma livraria velha”!

O trabalho de Stilkey é freqüentemente comparado ao do expressionista alemão Otto Dix (1891- 1969), outro artista que muito admiro. As obras de Mike Stilkey estão expostas em galerias dos EUA e Europa.

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