Monthly Archives: February 2008

Mel Kadel

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Continuando a ode aos livros… encontrei o lindo site da artista norte-americana Mel Kadel, que utiliza papéis e livros antigos como suporte para seus desenhos criativos e delicados.

Ao contemplar seus desenhos é difícil não pensar nas lembranças perdidas na infância, e volto a citar uma frase de J. M. Barrie, contida dentro do romance Jardins de Kensington:

A amnésia adulta sobre a infância é um dos fenômenos mais interessantes e menos estudados pela comunidade científica, sempre mais preocupada em perpetuar a velhice do que em recuperar a infância.”

Ser feliz é ter um livro… e seguir contra o vento

poor poet, Carl Spitzweg

Ser feliz é ter um livro novo pra ler, e sentir aquele cheiro de papel que livro novo tem – uma diliça! – amar a capa linda que fizeram, e gostar dele de monte, sem vontade de largar, e aprendendo uma porrada de coisas novas sobre gentes e sentimentos.”

Adorei esta frase escrita pela Regininha, retirada da crônica “Ser feliz”, que saiu pelo AN, na quinta-feira passada. Gostei demais porque adoro livros! Ler, fazer, cheirar, e apreciá-los como objeto.

Ler livros nos faz viajar tão alto e tão longe, que às vezes nem dá vontade de voltar! E relembrando um post anterior… eu mencionei que nas férias viajei a Londres, no começo do século XX. Pois bem, foi uma viagem fantástica, porque descobri a capital inglesa pelas palavras de dois escritores. Um deles é o escritor argentino Rodrigo Fresán, autor do romance Jardins de Kensington, que numa mistura de cenários ingleses (a Londres vitoriana e a Londres psicodélica dos anos 1960), conta a história de J. M. Barrie, o criador do clássico Peter Pan. Baseado nos diários e cartas de J. M. Barrie, Fresán revela a aproximação do criador com os irmãos Llewelyn Davies, que ficaram famosos por serem os inspiradores desta fábula eterna. Uma curiosidade: a história do filme Finding Neverland (2004), estrelado por Johnny Depp, não é fiel à vida do escritor, que dizia:

A melhor coisa do mundo é ser criança e a segunda melhor coisa do mundo é escrever sobre ser criança.”

Em outro livro, passeei pela Londres de Virgínia Woolf, através do diário da escritora. Li a versão portuguesa, pois a edição brasileira está esgotada, infelizmente. No diário, Virgínia expõe suas críticas e seus encantamentos pelos lugares da cidade e revela um pouco sobre seu conturbado processo criativo. Analisa minuciosamente seus amigos do Bloomsbury Group, e também outros escritores ainda desconhecidos, como T. S. Eliot e Aldous Huxley. Além disso, Virgínia descreve seu dia-a-dia na Hogarth Press, editora fundada em 1917 e que pertencia à ela e seu marido Leonard Woolf. Que diliça! – como diz Regininha, ler as palavras de Virgínia sobre os dias inteiros que passava costurando livros e escolhendo as capas desenhadas pela artista e irmã Vanessa Bell. E para minha surpresa, Virginia escreve com tristeza (em maio de 1921) sobre a morte inesperada de um dos irmãos Llewelyn Davies, pois afinal, todos moravam nos arredores dos Jardins de Kensington.

Concordo com Rodrigo Fresán quando ele diz que “é melhor não ir para conhecer melhor”. Fui a Londres duas vezes e não gastei nada, pois eram livros emprestados! E no final da viagem ainda encontrei esta frase de Virgínia:

Ser feliz é virar tudo do avesso de três ou quatro em quatro anos. Mudar sempre de rumo para se seguir contra o vento.”

J.M.Barrie and Virginia Woolf

Bigodes de Gato

Gatos, bigodesEsta semana, o post bigodes ao léu rendeu alguns inusitados comentários! Pois então, compartilho com vocês algumas Cattips sobre os bigodes dos amados bichanos:

“Normalmente o gato tem doze fios de bigode de cada lado do focinho”.

“Os bigodes dos gatos não servem só para embelezar. São rodeados de terminações nervosas e os gatos os usam como órgãos táteis, para perceber o mundo no escuro”.

“Os cientistas chamam os bigodes de gatos de vibrissas. Apesar do mito, as vibrissas não são usadas para medir a largura de uma abertura para o gato ver se passa. E isso também não daria certo, porque os gatos costumam ser mais largos que os bigodes”.

* Fonte: ler a seção Sobre.

Art- das Kunstmagazin

Art- Das Kunstmagazin
Arte, fotografia, teatro, design, arquitetura, museus, exposições, eventos, acontecimentos, tudo isto e muito mais é a ART- das kunstmagazine, uma revista maravilhosa cheia de artigos com fontes sempre atuais.

A revista é editada na Alemanha e possui somente a versão em alemão, sem tradução para o inglês, uma pena! Porém, um dicionário on-line pode desvendar muitas das estranhas e enormes palavras que os Deutsches falam. Pra começar, basta saber a palavra-chave da revista: Kunst = arte. Sabendo isso, já é meio caminho andado!

jenny holzerSugiro um passeio pelo site da revista para conhecer novos artistas e admirar os eternos clássicos do universo da arte. Na edição deste mês tem uma entrevista com o fotógrafo alemão Jim Rakete, e dentre seus retratados há uma bela foto da artista norte-americana Jenny Holzer (foto ao lado); há também uma matéria sobre street art e a obra Traffic Jam de Brad Downey (foto abaixo), que compõe a exposição “Fresh air smells funny”; a divulgação de uma revista diferente, a Meatpaper- Fleisch und Kunst (Carne e Arte), ilustrada com o auto-retrato de carne, de Vik Muniz; a mostra Design-Utopien, em Zürich; os artistas Gerhard Richter; Mark Rothko; Max Ernst; e muito mais.

A revista em papel é mensal e a edição on-line é atualizada diariamente. Todas as edições anteriores também estão disponíveis no site. Boa para pesquisar e boa para refrescar as idéias!

street art

Público x Privado

sickoOntem vi Sicko (2007), do Michael Moore e como seus outros filmes, gostei é claro. Neste novo documentário, Moore compara o sistema de saúde norte-americano (totalmente dirigido e manipulado por grandes seguradoras) com os sistemas de saúde público de outros países. Moore sempre gera polêmica e calorosas discussões. Foi acusado de não ser patriota, por aumentar as comparações e exagerar nos fatos. Será mesmo?

Em Sicko, Michael entrevista voluntários que socorreram e ajudaram nas buscas pelas vítimas do 11 de setembro. Hoje, muitos deles sofrem de doenças respiratórias e não conseguem pagar pelas consultas médicas. Michael leva alguns destes voluntários para Cuba e lá recebem todo o tratamento necessário, dentro de um sistema gratuito e eficiente. Em outra passagem de Sicko, um ex-membro do Parlamento britânico (Tony Benn) explica que o sistema público de saúde (para contribuintes) britânico foi criado em 1948, com o poder da democracia, porque antes, o cidadãos só poderiam ter cuidados médicos se tivessem dinheiro e, com o voto, o poder passou para a classe mais pobre; ele ainda diz que, se um governo consegue dinheiro para matar pessoas, também consegue arranjar dinheiro para ajudar as pessoas. Em tempos de eleições, o filme revela também como Hillary Clinton, a então temida 1ª dama em busca de um sistema de saúde público gratuito para todos os cidadãos, vende-se para as companhias de seguro com o passar dos anos.

Os EUA é um país privatizado. E isto me causa medo, porque o Brasil é um país muito influenciado pelos EUA. Numa das conversas com a amiga Regininha, ela citou de memória esta frase do Millôr Fernandes: “Quando chego a um país, e a imprensa dali diz que não há liberdade, e os crimes contra o ser humano são intoleráveis, sei que estou numa democracia. Quando chego a um país, e sua imprensa diz que ali é um paraíso, e tudo está na maior das maravilhas, sei que estou numa ditadura.” Esta frase faz todo o sentido quando, mesmo numa democracia, governantes mantêm as pessoas oprimidas, controladas e desmoralizadas.

Enfim, acredito que Michael Moore é sim um patriota estadunidense, merecedor de respeito e apoio, porque o importante é debater sobre as questões apontadas no documentário. Afinal, saúde não é um luxo, é um direito.

Gatos, bigodes ao léu

capa gatos laerteAcho que todo mundo tem o costume de colecionar algo estranho ou peculiar. Pois eu tenho o costume de catar os bigodes dos meus gatos caídos no chão. Já tenho uma porção e ainda não sei bem o que fazer com eles. De repente eu invento alguma “coisa” pós-complexa…

E por falar em bigodes, em janeiro ganhei o livro (que está na foto ao lado) dos ‘Gatos do Laerte‘ e é divertidíssimo. Adoro o trabalho do Laerte e todos os seus personagens hilários, como os Piratas do Tietê, Los 3 amigos e o Homem Catraca. Mas é claro que a Gata e o Gato são os meus preferidos e no livro, logo no início da apresentação dos gatos, há uma ótima descrição de suas características e preferências, que descrevo aqui:
Gata – não gosta de ser definida como fêmea do gato; é uma fêmea absoluta, acima das espécies e das estrelas. Curte Luiz Melodia, acredita em Batman, sonha com números e aposta tudo em sexo bizarro.
Gato – Idealista, criativo, inseguro, portador de uma bagagem cultural mais sortida do que profunda. Tem todas as sonatas de Beethoven, mas já foi visto num karaokê, dando tudo de si pra impressionar a gatinha. E conseguiu.

Laerte é um criador talentoso e catlover revelado na contracapa deste mesmo livro, que diz o seguinte: “Trabalha desde 1973, com o objetivo de comprar ração e areia.” Por esta revelação suponho que os gatos do Laerte são sortudos por terem um dono assim tão generoso e legal!

tira gatos

Pedalando pela Europa

eurovias

Quando não se pode viajar fisicamente para algum lugar, é preciso procurar alternativas, como viagem astral, mental, virtual, etc. Eu prefiro as viagens pelos livros e também pela Internet, que hoje é uma possibilidade fantástica pelo acesso às informações instantâneas através de fotos e vídeos. Neste Carnaval, por exemplo, caí na tentação de ligar a tv e adentrei num Carnaval muito animado em Salvador. Pra ver de longe, afundada no sofá com um copo cheio de cerveja gelada é ótimo, mas nem pensar em estar lá pessoalmente no meio da muvuca!

Adoro viajar, mas ultimamente minhas possibilidades de viagens longas diminuíram e o que me resta são as viagens virtuais, que aliás são ótimas! Desde julho de 2007 venho acompanhando uma viagem muito bacana de um viajante catarinense de Tijucas, cidade muito próxima de onde eu moro. Esta super aventura sobre duas rodas é do Narbal, que não conheço pessoalmente, mas desde que o encontrei no blog Eurovias, é como se eu o conhecesse há muito tempo. A viagem do Narbal já ultrapassou um ano e meio, passou por vários países do Velho Continente, e agora em fevereiro embarcou rumo à África. O blog da aventura é bem construído e com fácil navegação. Narbal disponibiliza fotos e vídeos e escreve sobre cada trecho percorrido, que começou na companhia de um amigo também catarinense e, desde sua passagem por Milão, é acompanhado por sua cúmplice italiana, a bela Francesca.

O blog tem informações interessantes sobre o povo e a tradição de cada lugar, como por exemplo, o estado precário das ciclovias em Portugal e Espanha, a receptividade silenciosa dos turcos, a receptividade calorosa dos romenos, o caos urbano da Itália, a mavilhosa paisagem do sul alemão, e questionamentos e projetos para o uso da bicicleta como meio de transporte eficiente, saudável e ecológico nas grandes metrópolis que, de acordo com ele “é uma equação difícil de ser resolvida, em que cada vez mais se promove o deslocamento de pessoas por meios de transporte individuais e principalmente motorizados”. Enfim, talvez um dia (se ainda der tempo) o homem prefira o uso da bicicleta ao dos veículos motorizados, porque há exemplos de que esta prática pode dar certo. Na Holanda e Dinamarca, Narbal mostra em vídeo que o caos existe sim, mas o caos das bicicletas (foto abaixo à esquerda). Aos poucos, cidades como Paris começam a implementar programas de incentivo ao uso das bicicletas, como o programa público Vélib’ (foto abaixo à direita), que são bicicletas de aluguel (estreado em julho de 2007) com grande aceitação pela população local.

Além da aventura, há também o desprendimento material e a superação física e emocional que uma viagem deste tipo proporciona. Dizem os viajantes que a melhor forma de se contemplar uma viagem é ir a pé. Melhor ainda é viajar com a máquina que melhor aproveita a energia humana, a inigualável magrela.

bikes

O sabor da maçã

Estatisticamente meus anos pares são melhores que os ímpares. Vejamos: em 1998 mudei de Curitiba, PR para Florianópolis, SC (puxa, já se passaram 10 anos!), em 2000 juntei meus trapinhos com os trapinhos do meu cúmplice, em 2002 consegui meu melhor emprego, em 2004 fiz a viagem que tanto sonhei na época da faculdade, em 2006 saí daquele (que eu achava ser o) meu melhor emprego, descobrindo a vida como freelancer e, enfim, chegamos a 2008, este ano inesquecível em que o verdureiro entregou uma nova e bela maçã no prazo combinado (pena que não foi de graça!) e estou aqui, degustando seu delicioso sabor em pleno carnaval, para tirar parte dos prejuízos das minhas férias forçadas.

apple first logoE por falar em maçã, eu sempre quis saber porque a Apple Inc. tem este nome. Pesquisando na Wikipedia, descobri não só o porquê do nome e toda a tragetória da corporação, como também conheci a logomarca original desta que é hoje uma das empresas mais fortes na área de tecnologia e design. A primeira logo da Apple foi desenhada pelos seus fundadores Steve Jobs e Ronald Wayne, e representava Isaac Newton sentado embaixo de uma macieira. Logo depois, em 1976, o designer Rob Janoff foi mais além e criou a famosa maçã-arco-íris-mordida, simbolizando as descobertas da Lei da Gravidade por Newton (aquela história de que a maçã caiu da árvore…), e o arco-íris simbolizando a separação das cores em prisma. Diz a lenda que a mordida na maçã é uma homenagem ao matemático Alan Turing, considerado um dos pais da ciência da computação, que se suicidou, em 1954, comendo uma maçã com cianureto. Em 1999, o arco-íris saiu e a maçã tornou-se cromada, permanecendo assim até hoje.