Monthly Archives: December 2007

Joyeux Noël (2005)

Joyeux NoëlVéspera de Natal, 1914. Em uma zona de conflito da I Guerra Mundial, um cessar fogo em busca da paz muda a vida de soldados franceses, alemães e ingleses. Baseado em fatos reais, o filme escrito e dirigido por Christian Carion mostra que mesmo em guerra, pode haver bondade e respeito entre os humanos e até mesmo entre soldados combatentes em lados opostos.

Uma trégua informal, onde em pleno front, vários soldados encontram-se pacificamente numa “zona de ninguém”, a fim de compartilhar uma preciosa pausa em respeito às crenças individuais, num momento único, mesmo sabendo que seus superiores não tolerarão esta ocorrência. Além dos sentimentos e destino de cada soldado, o filme mostra a absurda política por detrás da guerra e como cada soldado é muito mais do que um alvo de canhão, porque sem um inimigo não pode haver nenhuma guerra.

É um filme diferente sobre o Natal e para o Natal, diferente de muitas bobagens sobre papai Noel e falsas ilusões que Hollywood costuma vender. Falado nos idiomas de cada personagem, Joyeux Nöel é uma co-produção européia e estrelado pelo jovem ator Daniel Brühl, o mesmo do ótimo Goodbye Lenin! e Edukators.

Joyeux Noël

Com esta dica de filme de Natal, me despeço de você amigo leitor, desejando ótimas festas e um ótimo 2008!

Universo estranho e encantador

Julie Morstad

O trabalho da ilustradora canadense Julie Morstad gira em torno dos contos de fadas inspirados na inocência, adicionados a elementos nonsenses. De traços delicados e sutis, seu trabalho é recheado com idéias surreais que muito me lembram o realismo fantástico do escritor argentino Julio Cortázar.

Nas ilustrações de Julie povoam também animais (na maioria pássaros), flores e outros objetos peculiares. A artista aprecia desenhar peles, cabeças decapitadas e longas cabeleiras: “Cabelos, cabeças, rostos, olhos, o que for — eu compreenderei o que significa depois, se significar alguma coisa” — comenta Julie.

São desenhos sobre o corpo e sobre o florescer das coisas. Uma obra que não precisa de significados, basta sentir.Julie Morstad

Renato Tapado

renatotapado.com

Ontem aconteceu em Florianópolis o lançamento oficial do site do escritor, amigo e catlover Renato Tapado. O belo site (criação de Aleph Ozuas, meu companheiro e também criador deste blog, by DZO) tem 13 livros e mais de 800 páginas em arquivos no formato pdf. Poesia, prosa poética, contos, artigos, diário de uma viagem solitária de bike à Patagônia e várias outras categorias compõem o site muito convidativo.

Renato, que vive numa casa charmosa na pequena cidade de Alfredo Wagner (SC), tem paixão antiga pelos felinos. Seus dois gatos (Monet e Griès) reinam livremente pela natureza ao pé da serra e, é claro, gatos não haveriam de faltar na obra do escritor: Gatos, pequeno dicionário poético é um livro em processo e dele eu escolhi este trecho para o catlover de hoje:

CRIANÇAS
Para quem não conhece os gatos, parece um mistério: quando, numa reunião de visitas, crianças entram na casa em que nunca haviam estado e, surpresas, se deparam com um gatinho com olhar confuso no meio da sala, ele de repente foge, a buscar refúgio em algum canto. Isso acontece em maior medida com os gatos adultos. Os filhotes, inocentes e brincalhões todas as horas em que não estão dormindo, acham as crianças divertidas, só que um tanto exageradas. Mas os felinos adultos, depois de tantas experiências, são meio traumatizados. Para uma criança, um gato pode ser um ótimo brinquedo: pode-se, por exemplo, agarrá-lo pelo rabo, arrastá-lo em meio aos móveis, apertá-lo até ele miar, miar como ele até ele não agüentar mais e sumir, colocá-lo de cabeça para baixo, jogá-lo para o alto para verificar se é mesmo verdade que um gato sempre cai com as patas para baixo, e inclusive testar as tais de suas “sete vidas”, pondo-o para secar no microondas ou dando-lhe um banho na máquina de lavar roupas… De posse desse conhecimento acumulado, o gato adulto, quando pequenos humanos entram na sala, disparam. A não ser aquela, que tem nome de flor e, tímida e de voz baixa, pergunta à dona se pode acariciar o gatinho. A resposta é sim, e a menina, em gestos lentos e meigos, sente no pêlo acetinado do gato que o mundo, às vezes, pode se tornar delicado.

monet e gries

"Atenção: Você está abandonando o setor capitalista"

loja gratuita

Continuando o papo do post anterior sobre ecologia e consumo… saiu ontem na BBC, esta interessante notícia: Loja ‘anticapitalismo’ em Berlim completa dez anos

A loja Umsonstladen, que na tradução literal, significa loja gratuita, está situada na Brunnenstraße 183, na Berlim oriental, e não é a única loja gratuita da Alemanha, mas provavelmente a mais antiga e famosa. É um tipo de loja alternativa contra o consumo desenfreado, que funciona como um sistema de trocas. Na entrada, o consumidor é alertado com a frase: “Atenção: Você está abandonando o setor capitalista”, que é uma menção à “Atenção: Você está entrando no setor americano”, famosa frase pós-guerra, que dividia Berlim em 2 mundos, o ocidental e o oriental.

Na Umsonstladen o conceito é simples: o consumidor entra, escolhe o que quer e sai sem pagar nada. Mas como nem tudo funciona bem no mundo dos humanos, alguns clientes ambiciosos estavam organizando um lucrativo negócio paralelo com os objetos que levavam, o que obrigou os voluntários da loja a limitarem os produtos a apenas três por cliente.

No site da Umsonstladen você pode baixar a lista completa de produtos em arquivo PDF. Mas lembre-se: este tipo de loja não é um depósito de sucatas. A idéia é que haja um respeito entre o doador dos objetos e as pessoas que os obtêm. Respeito, essa palavrinha que está em falta no mercado, porque no dia em que o respeito mútuo deixar de ser apenas uma virtude e se tornar uma ação diária e contínua, o mundo com certeza será bem melhor.

Compre um Handmade

handmade

O Natal está chegando e para quem está procurando por algo diferente e também tenta fugir da loucura das compras de final de ano, a dica é juntar-se ao manifesto Buy Handmade, ou seja, além de apoiar um artista crafter, você compra um presente singular, feito com carinho e atenção – habilidades que estão muito em falta nas produções em alta escala.

Vale lembrar que no período do Natal, a economia global acelera e com isso aceleram também todos os efeitos nocivos em relação à Terra, pois a produção em massa é uma das principais causadoras do envenenamento das riquezas naturais do planeta. E no momento em que todos (nem todos, aliás, nem a maioria) páram para repensar os efeitos ambientais em nosso planeta, por que não fazer diferente em relação ao estilo de compras de Natal? Presenteie a pessoa amada com algo realmente significativo, evitando também as longas filas em estacionamentos, o mau humor dos vendedores, os preços altos e a impessoalidade de um objeto made in China.

“Somos encorajados a sermos apenas consumidores, e não produtores de nossa própria cultura. Nossos laços com as mercadorias locais estão se perdendo e comprar um Handmade nos ajuda a retomar essa relação”. É o que diz o manifesto. Bora lá!!

handmade pledge

Piotr Zastrozny

people

Piotr Zastrozny é fotógrafo, músico e designer polonês. Expõe seu trabalho em diversas revistas e sites internacionais. Seus projetos são muito interessantes, e através do belo design de seu site, é possível navegar pelos seus projetos fotográficos, como por exemplo o “Polaroid 669″, em que Piotr clica uma foto por dia, desde maio de 2003. Há também o projeto “People” com excelentes retratos, “Holga”, que é umas das cameretas da marca Lomo, e muito mais.

Polaroid 669

Carnivàle

Carnivale

Carnivàle é uma série norte-americana com apenas duas temporadas. Mesmo com os apelos de inúmeros fãs, a série teve seu fim prematuramente decretado em 2005. Não caiu no gosto popular norte-americano. Não tinha audiência necessária que agradasse aos patrocinadores. Não tinha gente famosa, bonita e descolada. Enfim, não era a fórmula convencional de séries HBO. Mas… depois do lançamento dos 2 DVD’s completos da série em 2006, Carnivàle adquiriu notoriedade e vem sendo cultuada pela sua originalidade, conceito, roteiro, figurino, fotografia (brilhantes) e edição.

Criada por Daniel Knauf, Carnivàle é um freakshow circo com parque de diversões itinerante rodeado de mistérios (me lembrou muito o filme “As 7 Faces do Dr. Lao“), que percorre os territórios desertos dos Estados Unidos, durante a grande depressão de 1934. Narra simultaneamente as histórias de um fugitivo prisioneiro com poderes milagrosos (Nick Stahl) que se agrega ao circo, e a de um reverendo metodista poderoso e manipulador, na ótima interpretação do ator Clancy Brown. Pouco a pouco, o mistério de cada personagem se derenrola e os fatos levam em direção a um grande conflito entre o bem e o mal que está apenas prestes a começar.

A série começa com um discurso de Samson, o pequeno e simpático gerente do circo:

Antes do início, depois da grande guerra entre o Céu e o Inferno, Deus criou a Terra e a entregou ao ardiloso macaco chamado homem. E a cada geração nascia uma criatura de luz e uma criatura de trevas. E grandes exércitos se digladiaram na noite da antiga guerra entre o bem e o mal. Era um tempo de magia, nobreza e inimaginável crueldade. E foi assim até o dia em que um falso sol explodiu sobre Trinity, e o homem trocou para sempre a magia pela razão.

Na minha opinião, Carnivàle é uma das mais fantásticas produções já realizadas para a TV. Uma série carregada de magia e fantasia, particularmente misteriosa e bela.