Monthly Archives: October 2007

A origem do dia de Halloween

Halloween’s card

É comum pensar que o dia de Halloween é um feriado bobo, comercial e estadunidense. Na verdade os estadunidenses popuparizaram uma tradição originalmente Celta.

A origem do Halloween remonta às tradições dos povos que habitaram as Ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., e não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro. O Festival de Halloween (hallow evening = noite sagrada) era a celebração que comemorava o final do período fértil da Deusa Celta Eiseria. Diz a lenda que quando o ciclo fértil da deusa chegava ao fim, no dia 31 de outubro, o “véu” entre o mundo material e o mundo dos mortos (ancestrais) e dos deuses (mundo divino) ficava mais tênue. Máscaras eram usadas em respeito à deusa que não desejava ser vista pelos olhos dos homens. Este dia também precede o dia de Todos os Santos, que é a celebração do início de um novo ciclo de fertilidade para a Deusa Celta Eiseria.

O Halloween é muito popular na Irlanda, onde é uma data repleta de significados espitiruais, culturais e históricos, e apesar de ser mais conhecida hoje por Halloween, no idioma celta ainda se fala “Oíche/Oidhche Shamhna” que significa a “Noite de Samhain” ou Festival de Outono. Samhain significa ‘novembro’. Tradicionalmente, “Samhain” era tempo de avaliar os rebanhos e estoques de grãos, e decidir quais animais necessitariam ser abatidos para que as pessoas e o gado sobrevivessem durante o inverno. Este costume é, ainda hoje, praticado pelas pessoas que vivem da agricultura e da pecuária.

Na Escócia , a “Noite de Samhain” é um dos principais festivais do calendário celta, e a celebração pelo final da estação da colheita (final do verão). Também está ligado ao Ano Novo Celta. É ainda um costume, em algumas regiões, reservar lugares para os mortos durante a festa de Samhain, e relembrar contos dos antepassados nesta noite.

A relação da comemoração desta data com as bruxas teria surgido na Idade Média com as perseguições incitadas por líderes políticos e religiosos, sendo conduzidos julgamentos pela Inquisição, com o intuito de condenar os homens ou mulheres que fossem considerados curandeiros e/ou pagãos. Todos os que fossem alvo de tal suspeita eram designados por bruxos ou bruxas, com elevado sentido negativo e pejorativo, devendo ser julgados pelo tribunal do Santo Ofício e, na maioria das vezes, queimados na fogueira nos designados autos-de-fé. Essa designação se perpetuou e a comemoração do Halloween foi levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses no século XIX, ficando assim conhecida como o “dia das bruxas”.

Fonte: Wikipedia

Lomography: não pense, apenas fotografe

LC-AEra uma vez… no ano de 1982, durante a guerra fria, lá na distante e antiga União Soviética, mais precisamente em São Petersburgo, um certo general russo ordenou ao diretor da maior empresa óptica de seu país, que fabricasse muitas e muitas máquinas fotográficas pequeninas, baratas, robustas e fáceis de usar, para que todas as famílias pudessem registrar suas alegrias (ou não!). A fábrica, cujo nome era LOMO (Leningradskoye Optiko Mechanichesckoye Obyedinenie), muito rapidamente começou a fabricar uma máquina que seria produzida em série, a LC-A (Lomo Kompact Automat) e que passou a ser vendida também em outros países comunistas como a Cuba, Alemanha Oriental e Vietnã. Mas o comunismo da então União Soviética acabou e as câmeras foram esquecidas e desaparecendo com o tempo.

Em 1991, dois jovens estudantes austríacos saem de férias em Praga e percebem que esqueceram suas câmeras fotográficas. Descobrem num antiquário uma antiga máquina LC-A. Entusiasmados com a pequena máquina, fotografam tudo e todos, muitas vezes sem olhar através da objetiva. De volta à Viena, o fascínio dos estudantes pelo resultado das cores, luz e qualidade das imagens (focadas ou desfocadas) foi tão contagioso, que rapidamente a boa nova se espalhou e as cameretas tornaram-se febre entre os jovens da cidade, que viajavam até Praga para também comprar a máquina.

lojalomoespanhaA mania cresceu tanto que em 1994, nascia em Viena a Lomography Society com o objetivo de afirmar o valor artístico da lomografia através de diversos eventos culturais, dentre eles a primeira exposição internacional lomográfica que ocorreu simultanemente em Moscou e Nova York, disponibilizando lado a lado milhares de imagens, constituindo um imenso Lomowall. A Society (comunidade) tinha como objetivo impedir o desaparecimento das máquinas fotográficas russas.

LC-A photo exampleQuando a LOMO ameaçou parar de fabricar a LC-A, os jovens austríacos foram à Rússia propor a Vladmir Puttin que os russos continuassem a produzir a câmera e a Sociedade Lomográfica garantiria as vendas. Deu certo e em pouco tempo a Lomografia tornou-se um dos mais criativos movimentos culturais da atualidade, alcançando outros países da Europa, os Estados Unidos e Ásia. Hoje as câmeras são fabricadas na China.

Mas o que torna a LC-A tão especial? Sua exposição automática, feita sob medida para difíceis condições de luz sem o uso do flash e as lentes Minitar, que adicionam brilho às cores e criam efeitos inusitados.

Através do website da comunidade, a idéia de registrar o cotidiano foi espalhado sob o slogan “Não pense, apenas fotografe”. Hoje a fabricação e diversidade de câmeras LOMO (todas analógicas) é enorme. No Brasil existe a LomoBR, onde você encontra mais informações sobre esta mania mundial e também todas as ‘10 golden rules‘.

May Belfort, 1895

may belfort

May Belfort foi uma jovem cantora irlandesa de cabarés parisienses do final do século 19. Era muito conhecida porque durante suas performances usava um estranho roupão com grandes mangas bufantes e uma touca que a faziam parecer um bebê. Carregava também seu gatinho de estimação, registrado nesta litografia em 4 cores, datada de 1895, pelo artista francês Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901).

Alguns críticos achavam a voz de May Belfort ruim e patética, mas ela capturava sua audiência quando cantava antigas melodias irlandesas com seu jeito angelical. Diziam que na realidade ela era uma garota sádica e valentona. Quando Lautrec a viu pela primeira vez em 1895, cantando no café-concert Les Décadents, ficou fascinado. Durante sua carreira, criou cinco pinturas, um poster e seis litografias da cantora.

O interesse de Lautrec pelos cabarés de Paris começou quando ele ainda era estudante. Em 1884, ele visitou o conhecido café Chat Noir e conheceu o famoso proprietário Aristide Bruant que o apresentou a todos os artistas. Começava assim uma sociedade promissora, pois além de frequentador assíduo dos cabarés, Lautrec criou vários cartazes, anúncios e peças publicitárias para estes estabelecimentos, inclusive o mais famoso deles, o Moulin Rouge. O artista ficou famoso por trazer refinada estética artística às gravuras coloridas e por suas técnicas inovadoras. Tornou-se famoso como o pintor da noite moderna, por capturar a essência da vida noturna, nas inúmeras cenas teatrais dos cabarés parisienses.

Sonhar Acordado e Acordar Sonhando

Science des rêves, La (2006)Enquanto escrevia o post de ontem, lembrei muito deste lúdico e mágico filme The Science of Sleep, dirigido pelo excêntrico Michel Gondry, o mesmo diretor e roteirista do ótimo Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Popularizado por dirigir os clips da cantora Björk (“Human Behaviour” é o mais conhecido), Gondry criou uma romântica e criativa história, ao mesmo tempo simples e vibrante, utilizando a tecnologia de forma diferenciada com a mistura de velhos recursos de stop-motion a muitos crafts para compor o universo dos personagens.

Já no início no filme, Stéphane, interpretado por Gael Garcia mostra como os sonhos são preparados: “a fórmula é uma delicada combinação de complexos ingredientes. Primeiro você pega alguns pensamentos aleatórios, adiciona um pouco de reminiscências do dia e mistura com algumas memórias do passado”.

The Science of Sleep ou a “Ciência do Sono” conta a estória confusa e visualmente bela de Stéphane, um criativo artista e profundo sonhador que muda-se do México para Paris. Sua vida é banal e sufocada por um trabalho que não gosta. Ele cria uma série de confusões com a garota que vive ao lado de seu apartamento, a doce Stéphanie (Charlotte Gainsbourg), tão criativa quanto ele. A relação dos dois é uma mistura de sonho e realidade e chega a um ponto em que você não sabe mais o que é sonho e o que é realidade. (Dá até para se perder nos próprios sonhos!)

Também gostei do filme porque os diálogos são em francês e espanhol, fidelizando a origem de cada personagem. O inglês é usado apenas nos sonhos e para a melhor comunicação dos personagens. É muito ruim quando um filme se utiliza daquele inglês forçado, como no Frida Kahlo, que poderia ter sido rodado todo em espanhol.

É um filme com senso de humor e imaginação, para as pessoas que conseguem viver (e se identificar) em dois mundos: o real e o dos sonhos. Fantasia que está ficando cada vez mais difícil em nossa dura e cruel realidade.

Fofy's World

fofysland

O meu primeiro post sobre crafts não poderia ser outro, a não ser sobre a Fofy’s Factory, e as criações de uma moça muito fofa chamada Carol Grilo, que além de crafiteira e empresária, é também arquiteta e ilustradora.

Conheço os produtos da Fofy’s desde 2004 (tenho um caderno inseparável com capa de gatinho by Fofy’s) e desde lá a empresa, que segundo Carol surgiu de uma brincadeira, cresceu muito e merecidamente. Hoje A Fofy’s Factory está espalhada por todo o Brasil e em algumas partes do mundo.

Em maio deste ano, reencontrei a Carol no BarcampFloripa e contei que estava inventando alguns cratfs e ela me incentivou muito. Abri uma conta no Flickr (que ainda não era ‘pro‘) e então passamos a nos corresponder com mais frequência. Hoje acompanho sua produção mais de perto.

fofysbagA FofysFactory© é formada por Carol, sua mãe Gabriela Salomon e mais 4 máquinas de costura. Todos os produtos são feitos à mão, um a um e são de altíssima qualidade. Se nas fotos os produtos já são fofos, ao vivo eles são ainda mais encantadores! É impossível não se apaixonar pelas fofysbags, fofysbigs, porta moedas, buttons, toucas… e também é difícil comprar pouco, pois todos os produtos são tentadores.

Se você achou a Fofy’s Factory muito fofa e quer conhecer melhor os seus produtos, acesse aqui. E se você quiser conhecer um pouco mais sobre o processo de criação da Carol, no site Superziper você encontra uma entrevista, onde ela relata um pouco mais sobre o seu universo.

A Aventura do Livro

a aventura do livroUm livro existe sem leitor? Será que o mundo do texto existe quando não há ninguém para dele se apossar, para dele fazer uso, para inscrevê-lo na memória ou para transformá-lo em experiência? Estas e outras saborosas perguntas são respondidas no livro do historiador e professor especialista em história das práticas culturais e história do livro e da leitura Roger Chartier.

A Aventura do Livro do leitor ao navegador é o registro de entrevistas de Chartier com Jean Lebrun e que, além de reconstruir a história do livro, desde seu início na Antigüidade até a era da navegação na Internet, também aborda questões como a autoria e proteção de textos, o texto e sua relação com o autor e leitor, o leitor entre limitações e liberdade, a leitura (falta e excesso), bibliotecas, e o texto virtual e numérico. O livro também é visualmente belo, inteiramente colorido e ilustrado por fotos e obras de arte sobre livros (foto abaixo).

Assegura Chartier que a maior revolução da escrita foi em 1450 por Gutemberg, com a invenção dos tipos móveis e da prensa, pois até então os livros eram escritos à mão e somente depois desta transformação é que o livro propagou-se realmente. De acordo com o autor, a revolução do livro eletrônico se dá na estrutura do suporte material e nas maneiras de ler. Revela também que a negação da figura do autor conduziu ao reconhecimento de seus direitos, colocados hoje novamente em questão pela imaterialidade do texto eletrônico.

É interessante como o autor aborda as particularidades nas quais o texto é posto diante dos olhos do leitor, sua desmaterialização e as variáveis que condicionam a leitura, dentre as quais estão as convenções de cada cultura, os códigos de comunicação e o universo à que pertence cada leitor. Numa das mais belas passagens do livro, Chartier fala da relação do corpo e dos sentidos com o livro, bem como da relação do (espaço) público, sob a representação das bibliotecas e leituras em voz alta, e do privado através da leitura silenciosa, que “em lugares públicos torna-se uma leitura ambígua, realizada num espaço coletivo e ao mesmo tempo é privada, como se o leitor traçasse, em torno de sua relação com o livro, um círculo invisível que o isola”.

Depois de ler este livro, você entenderá que não é só o leitor quem procura por um livro, mas também é o livro que procura pelo leitor. Alguma vez você foi à livraria à procura de um determinado livro e levou por impulso outro completamente diferente daquele que havia procurado? “O leitor é um caçador que percorre terras alheias”, assim disse Michel de Certeau.
Le lecteur de Bréviaire, le soir, de Carl Spitzweg

+ rosebud

+rosebud nº 6A revista da foto ao lado é a + rosebud nº 6, publicação periódica com mais de 250 artistas, designers, fotógrafos, cientistas, filósofos e outros autores de várias partes do mundo. Ou seja, um sonho de revista! Neste link você tem acesso a algumas das 320 páginas desta limitada preciosidade.

Aproveite também para passear pelo site da editora alemã Die Gestalten, que possui catálogo com mais de 250 livros e publica, além desta revista, livros sobre design, style, arte, música, fotografia, tipologia, arquitetura e outros periódicos. É também uma empresa que oferece serviços culturais, como curadoria, consultoria, etc. Resumindo, pela própria Die Gestalten: uma editora especializada em desenvolver conteúdo para aficcionados pelo que há de melhor na cultura mundial e trabalha diretamente com jovens e talentosos designers e artistas. E um destes jovens e talentosos artistas é o ilustrador catarinense Samuel Casal que tem seu trabalho publicado (foto abaixo) no livro POE Ilustrated Tales por esta editora.

poe

Catlovers

Mr and Mrs Clarke and Percy

Catlovers é uma categoria de posts sobre o registro de gatos na arte. Pintores, escritores, fotógrafos, enfim, todos os que amam (ou amaram) e dedicam um pouco de suas vidas à esses felinos. Gatos famosos também estarão aqui.

Para começar, dedico este post à Percy, o gatinho desta obra intitulada Mr and Mrs Clarke and Percy (1970-1), do pintor britânico David Hockney. Este é um dos quadros mais populares do artista, um triplo retrato de seus amigos fashion designers Celia Birtwhistle e Ozzie Clarke e o gato Percy, porém dizem que o nome do gatinho não era este.

O quadro faz parte do acervo da Tate Gallery, em Londres.

Cinema brasileiro

tropaelite2.jpgQuando falavam em cinema brasileiro, logo me vinha à cabeça um filme que, ou era sobre favela, ou sobre a miséria no nordeste. E com este pensamento, eu desistia de ver qualquer filme que fosse brasileiro. Engano meu. Hoje o cimena brasileiro está mais diversificado, exemplo disso é o ótimo O Cheiro do Ralo, adaptado do livro homônimo do escritor e ilustrador Lourenço Mutarelli. O filme tem um humor sarcástico e seu personagem principal, muito bem interpretado por Selton Mello, é hilário, para não dizer cômico. A estória expõe o estranho e o bizarro dia-a-dia do comprador de antiguidades, perdido entre tantos objetos e que adora dizer “eu não gosto de você, eu não gosto de ninguém”. Gostei muito do filme, gostei mesmo.

Outro filme de 2006 (e com o nordeste como cenário) é o O Céu de Suely. É um filme lento e bonito, e o foco não é somente na pobreza das pessoas, e sim no objetivo e escolha de uma mulher determinada a tudo para sair daquele lugar. É um filme diferente e envolvente.

Mas este post sobre cinema brasileiro tem um determinado propósito… pois enquanto todos falavam sobre o filme Tropa de Elite  (que está disponível para baixar na net) eu não iria comentá-lo e relutei muito em assistí-lo, com todo o meu pensamento preconceituoso sobre filmes brasileiros, ainda mais com o Wagner Moura no papel principal (só dá ele na tv!). Errei de novo e vou comentar, aliás, vou elogiar muito, porque além da brilhante performance do Wagner Moura como o policial do BOPE, o filme não trata apenas da violência, mas vai além sobre o complexo sistema da violência no Brasil, que abrange desde a corrupção da polícia (que trabalha contra ela mesma), o esquema do tráfico de drogas e a postura da sociedade em relação à tudo isso. Realmente era um filme para concorrer ao Oscar. Mas é claro, quem assistiu ao filme sabe que não é essa a imagem que os ‘homens de preto’ querem que os gringos tenham do Brasil, até porque no filme fala-se muito em colocar as vítimas na conta do Papa.

O filme O ano em que meus pais saíram de férias é uma gracinha, qualidade ótima, roteiro bem elaborado, ligando a ditadura militar com a copa de 1970, mas… esse definitivamente não é o Brasil real, este sim é ficção.

Dois Salões, dois catálogos

victormeirelles.jpg

Ontem recebi, fresquinho da gráfica, o catálogo do 9º Salão Victor Meirelles (na foto – acima), no qual eu criei o projeto gráfico. O Salão aconteceu em dezembro de 2006 e o catálogo, desde esta data, estava pronto e esperando pela liberação da verba da Lei de Incentivo à Cultura. Depois de 1 ano o governo do Estado de Santa Catarina resolveu liberar o dinheiro.

O catálogo da foto – abaixo, é do “Arte Pará 2006“. Neste, eu participo como artista, com o desenho eletrônico “Papai ama mamãe, mamãe ama papai, mamãe ama mamãe, papai ama papai“, que trata sobre o crescente número de pais separados, mães solteiras e casais homossexuais que assumem a responsabilidade de criar filhos fora do padrão tradicional da família mononuclear. Estas novas estruturas familiares nem sempre são compreendidas pela sociedade, resultando em agressão social. A obra é toda composta por tipos, em reprografia sobre plástico incolor, e sua dimensão é 210 x 150 cm.

para.jpg