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Literatura de viagem

Sou fascinada por trilhos e trens, e certa vez um amigo deu esta dica de leitura: O Grande Bazar Ferroviário – de trem pela Ásia (Objetiva).

O Grande Bazar… é um passeio delicioso! Conduzido pelos elegantes vagões do Expresso Oriente, ou pelos vagarosos trens indianos, a narrativa é pontuada por várias situações inusitadas e observações sobre os países em que o autor perpassa, como por exemplo o Vietnã, onde as marcas deixadas pela guerra contra os Estados Unidos ainda eram recentes.

Publicado originalmente em 1975, o escritor americano Paul Theroux parte de Londres, segue pela Itália, pela antiga Iugoslávia e Bulgária até a Turquia. Atravessa o Irã, Afeganistão e Paquistão até chegar à Índia. Adentra o Extremo Oriente pela Birmânia e passa pela Tailândia, Malásia, Cingapura, Camboja e Vietnã. Viaja com os trens-bala do Japão e o final de sua jornada acontece no interminável trajeto a bordo do mítico Expresso Transiberiano, cruzando as paisagens frias e desoladas do interior dos países que faziam parte da União Soviética.

Logo no começo do livro o autor revela: “Eu procurava trens; encontrei passageiros”. Famoso por seus relatos de viagem, Theroux não é um viajante de folhetos de agência, com os  clichês e estereótipos de um turista. É um observador na tradição dos grandes escritores-viajantes.

Deixo aqui um trecho do livro:

desde criança, quando vivia perto da via férrea de Boston e Maine, raras vezes ouvi silvo de um trem sem sentir o desejo de estar nele. Os apitos dos trens eram como um música encantada: as ferrovias são irresistíveis bazares, serpenteando perfeitamente nivelados qualquer que seja a paisagem, melhorando seu estado de ânimo com sua velocidade sem jamais derramar seu drinke. O trem pode inspirar segurança em lugares muito desagradáveis… Se um trem é grande e confortável, pouco importa seu destino; um assento num canto basta, e você pode ser um daqueles viajantes que permanecem em movimento, em cima dos trilhos, e nunca chegam nem sentem que precisam chegar…

E agora espera-se pelo lançamento no Brasil de outro livro de Theroux, The Old Patagonian Express: By Train Through the Americas, onde ele viaja de trem desde Boston até a Patagônia e enquanto esteve na Argentina, passa 2 dias com o escritor Jorge Luis Borges conversando sobre literatura.

Obrigado pela dica, Ben-Hur!

Diário compartilhado de todas as manhãs

De manhã, antes que as atividades do dia comecem, é o tempo ideal para se fazer uma pausa. Stephanie Congdon Barnes, designer que vive em Portland, Oregon (EUA), relata que sua primeira ação de todas as manhãs é ferver a água para o café. Maria Alexandra Vettese, artista gráfica que vive com seus dois gatos em Portland, Maine, relata que em seus sonhos está sentada à mesa de uma sala quente escrevendo cartas à mão. São 3.191 kilômetros de distância entre estas duas mulheres que, no dia 1º de janeiro de 2007, iniciaram uma conversa fotográfica quase que diária.

3191, A Year of Mornings é um diário fotográfico onde as duas amigas virtuais tiraram fotos de objetos do cotidiano. O blog terminou em 31 de dezembro de 2007 e o projeto foi transformado em livro, publicado pela Princeton Architectural Press. O livro contém 236 imagens, sempre tiradas antes do meio-dia, sem qualquer combinação entre as duas, cuja amizade é mantida exclusivamente online. As fotografias irradiam uma aura de doçura e promessa de um novo dia, como uma simples visão pela janela num dia nublado ou uma toalha combinada com algum objeto sobre a mesa.

Agora, as duas amigas partilham outro projeto: 3191, A Year of evenings, outro relato fotográfico sustentado por momentos de serenidade, solidão e tranquilidade entre olhares distantes.

Prêmio Jabuti 2008

O resultado do Jabuti deste ano foi uma grata satisfação. O prêmio de melhor ilustração de livro infantil ou juvenil foi para a Mariana Massarani, pelo livro Toda criança gosta, escrito por Bia Hetzel e publicado pela editora Manati. As ilustrações da Mariana são lindas e muito coloridas. Este livro é especial porque o texto fala dos valores universais da infância ao lembrar do que toda criança gosta, como levantar da cama sem pressa; receber um sorriso junto com o bom-dia; ouvir um segredo cochichado; ser ouvida quando precisa falar, e muito mais.

Na categoria de melhor romance ganhou O filho Eterno, do escritor Cristóvão Tezza, publicado pela editora Record. Neste livro, Tezza expõe as dificuldades e as pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down, ao mesmo tempo em que recorda a sua trajetória como professor em universidade pública e como escritor com trinta e poucos anos e alguns livros na gaveta.

O livro é bom demais, e este artigo de Leandro Oliveira para o LeMonde Diplomatique resume muito bem o tom deste romance de Tezza: “é um mergulho num mundo íntimo, mas equilibrado pela ficção. Engana-se quem pensa que encontrará ali o autor contando a verdade, as memórias de sua vida. Há um afastamento, proposto pela construção da narração em terceira pessoa, que faz toda a diferença nos trechos mais difíceis… Mais do que uma história de filho doente, O filho eterno é uma bela reflexão sobre a paternidade, sobre ser escritor e sobre o momento político conturbado dos anos 1980.”

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Leia também a entrevista de Tezza para a Ciberarte, onde o escritor fala de sua relação com a internet e seu processo de criação.

Palavras riscadas

O curta-metragem Gratte-Papier (Palavras Riscadas), do diretor Guillaume Martinez exemplifica a reflexão de Roger Chartier (em A aventura do livro)  sobre a leitura em espaços públicos e privados:

“A leitura silenciosa, mas feita em um espaço público (biblioteca, metrô, trem, avião), é uma leitura ambígua e mista. Ela é realizada em um espaço coletivo, mas ao mesmo tempo ela é privada, como se o leitor traçasse, em torno de sua relação com o livro, um círculo invisível que o isola. O círculo é contudo, penetrável e pode haver aí intercâmbio sobre aquilo que é lido, porque há proximidade e porque há convívio. Alguma coisa pode nascer de uma relação, de um vínculo entre  indivíduos a partir da leitura, mesmo silenciosa, pelo fato de ser ela praticada em um espaço público”. (pg 143)

Gratte-Papier foi o vencedor do urso de prata no Festival de Berlim em 2006 e não possui legenda. O diálogo silencioso é mais ou menos assim:

– Eu não consigo ver seu rosto, mas o olhar do outro homem pode me dizer.
– O olhar dele não diz o seu (rosto).
– Eu era o centro (da atenção) antes de você chegar.
– Não se preocupe, já estou saindo.
– Não, não se mexa. O stress soa lá fora. Aqui estamos sentados, é melhor.
– Vou embora.
E a garota escreve o nº de seu telefone no livro.

Um vôo em comum

Na semana que passou, participei de um encontro teórico-prático sobre história da pintura contemporânea com Paulo Pasta, no Museu Victor Meirelles. Paulo chegou uma hora e meia atrasado por causa dos aeroportos brasileiros. Ele disse que a companhia aérea pretendia aterrissar o avião em Porto Alegre pra depois enviar os passageiros até Floripa… de ônibus, pode?!! Fora este atraso, o encontro foi ótimo, apesar de alguns participantes confundirem o evento com terapia em grupo. Refletir e ouvir sobre pintura com a mediação de um dos melhores pintores contemporâneos do país foi bom demais. Lembrou-me a época de minha graduação na Belas Artes em Curitiba e me impulsionou a voltar a pintar.

No mesmo dia em que Paulo se atrasou, corri (na chuva) para outro compromisso, o lançamento do livro Caio Fernando Abreu, inventário de um escritor irremediável (editora Seoman) da jornalista e escritora Jeanne Callegari.Tal foi a minha surpresa quando Regininha, que organizou o evento, me contou que Jeanne quase não compareceu ao evento porque o avião atrasou e pretendia aterrissar em Porto Alegre pra depois enviar os passageiros até Floripa… de ônibus! Achei engraçado meus dois compromissos estarem unidos pela mesma história. Enfim, o lançamento foi um sucesso, assim como está sendo a recepção do livro pelo público. Minha noite terminou numa pizzaria, ao lado da autora, de amigos e novos amigos!

Para saber mais sobre o livro Caio F.A…, leia aqui. Para saber um pouco mais sobre Paulo Pasta, leia este artigo em que o artista analisa dois livros sobre Francis Bacon.

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Para quem estiver em Florianópolis, até o dia 16 de outubro acontece no Museu Victor Meirelles, no centro da cidade, a exposição “Sonetos” de Luiz Henrique Schwanke, com trabalhos diferentes daquilo que estamos acostumados a ver do artista. São pinturas e desenhos sobre papel, todos inéditos e da década de 80.

O Bibliófilo Aprendiz

Por quê? Para quê colecionar livros? O Bibliófilo Aprendiz (Casa da Palavra) certamente responde a estas e outras indagações para os curiosos e para quem ama viver cercado por livros. Simples e claro, o livro é um convite aos novos leitores e àqueles com interesse pelos livros raros. “Falar de livros é a melhor das prosas. Mas está se perdendo o hábito de prosear. Não se proseia mais em portas de livrarias”, revela o autor Rubens Borba de Moraes, o qual foi diretor da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, entre 1945 e 1947, e diretor da Biblioteca da ONU em Nova York, de 1954 a 1959.

Coloco aqui alguns ensinamentos colhidos no livro para atiçar a sua curiosidade:

Um livro começa sua carreira sendo “comum”; passa a ser “escasso”; torna-se “raro”; e acaba sendo “raríssimo”.

O prazer de colecionar, a emoção de encontrar um livro procurado há anos, a volúpia de completar as obras de um autor, é, para o milionário que paga uma fortuna por um livro, a mesma do pobretão que encontra num sebo o volume sonhado”.

O que o bibliófilo procura é um prazer intelectual e artístico e não o ganhar dinheiro”.

Para se formar uma coleção homogênea sobre um assunto ou um autor é preciso ciência, conhecer a vida do autor, saber quando, onde publicou seus livros. É preciso toda uma soma de conhecimentos, uma verdadeira erudição.É aí que está a diferença entre o verdadeiro bibliófilo e o mero comprador de livros”.

O novo conto catarina

É hoje, dia 29 de abril, às 19 horas no Hall da Reitoria da UFSC em Florianópolis, o lançamento do livro “O novo conto catarina”, organizado pela Regininha Carvalho. Escritores nascidos entre 1943 e 1984, a maioria em território catarinense, estão no livro. “O ‘novo’ diz respeito tanto à idade dos autores, na maioria dos casos nascidos nos anos 70 e 80 – e que estão, portanto, na faixa dos 25 aos 35 anos –, quanto ao ineditismo de seus textos. E o ‘catarina’ refere-se a contistas naturais do Estado ou que adotaram Santa Catarina e trazem nossa terra como pano de fundo”, assinala a organizadora.

Quem está no livro: Adriano Marcelo de Souza, Aleph Ozuas, Ana Paula Fehrlen, Camille Bropp, Carlos Henrique Schroeder, Charles Silva, Clarmi Regis, Dauro Veras, Denise Ravizzoni, Dennis Radünz, Egídio Mariano do Nascimento, Fernando Floriani Petry, Francisco Orlandi Neto, Inês da Silva Mafra, Isadora Pamplona Genecco Moreira, Ivan J. Panchiniak, Jaime Ambrósio, Ludmila Gadotti Bolda, Maicon Tenfen, Marco Vasques, Moacir Loth, Raquel Wandelli, Renato Tapado, Rodrigo Schwarz, Rubens Lunge, Sigval Schaitel, Suzana Mafra, Vanessa Clasen, Vera Maria Flesch, Werner Neuert e Willian Vieira.

A edição fecha as comemorações dos 25 anos da EdUFSC e parte dos 6.000 exemplares será distribuída à comunidade universitária. Estão todos convidados!

A livraria mais charmosa do mundo

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Tudo começou quando Sylvia Beach (1887-1962), uma norte-america radicada em Paris, decidiu montar em 1919, uma livraria com a intenção de difundir os novos autores e a literatura contemporânea do seu país de origem. A nova livraria situada na Rue Dupuytren nº 8 atraiu muitos curiosos e amantes das letras. Assim surgiu a Shakespeare and Company, que logo depois mudaria para a Rue de l’Odéon nº 12, tornando-se o centro da cultura literária de língua inglesa na capital da França. Grandes nomes freqüentaram ou se instalaram na livraria de Sylvia e dentre seus fregueses estavam Gertrude Stein, Ezra Pound, Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway (ao lado de Sylvia na foto acima, à esquerda), James Joyce (com Sylvia na foto acima, à direita) e Man Ray.

sco.jpgO livro Shakespeare and Company, uma livraria na Paris do entre-guerras, publicado pela ótima editora Casa da Palavra, é um relato de Sylvia sobre as peculiaridades de seu empreendimento. Sylvia teve coragem suficiente para publicar Ulisses de Joyce, na época em todas as editoras se recusavam a editá-lo. Todos os passos da construção de Ulisses são narrados, desde a procura por um tipógrafo interessado no audacioso projeto, as revisões de Joyce sobre as inúmeras provas do livro até seu lançamento e sua aceitação pelo público. Ulisses foi o único livro publicado pela Shakespeare and Company de Sylvia Beach.

Já consolidada, a livraria fechou em plena II Guerra Mundial, pois a nacionalidade norte-americana de Sylvia e suas amizades judaicas chamaram a atenção dos nazistas. Após recusar-se a vender um exemplar de Finnegans Wake a um militar alemão, Sylvia recebeu o aviso de que os nazistas iriam confiscar tudo. Em questão de horas tudo foi escondido no terceiro andar do prédio e, em 1941, quando os alemães voltaram lá, não encontraram mais a loja.

Em 1951 outro norte-americano radicado em Paris (George Whitman, 1913 – ) abriu uma livraria com o mesmo nome na Rue de la Bücherie nº 37 (fotos abaixo) e hoje funciona nos moldes da antiga loja de Beach. Há décadas a livraria continua sendo o ponto de encontro para amantes da literatura e de aventureiros amantes da leitura em busca de um lugar para dormir. Lá, livros e camas se juntam. Whitman pretendeu transformar sua loja de livros numa “utopia socialista disfarçada de livraria”. Na década de 50, integrantes da geração beat, como William Burroughs e Allen Ginsberg buscaram guarida na livraria. No livro Um livro por dia – minha temporada parisiense na Shakespeare and Company, o ex-jornalista policial canadense e hoje escritor Jeremy Mercer narra os nove meses em que passou em companhia de George Whitman e dos viajantes que procuraram a livraria como pouso em troca de trabalho. O livro foi publicado pela mesma editora e além das aventuras dentro da excêntrica livraria, Jeremy narra sua vivência em Paris com pouco dinheiro no bolso, de forma bem alternativa e nem por isso de forma miserável.

Para conhecer um pouco mais desta charmosa livraria, acesse este site e faça um giro de 360º pelos arredores da livraria ou por entre suas estantes recheadas por milhares de livros. Há também comunidades na net, como esta no Flickr, com várias fotos em diversos ângulos, inclusive da gatinha preta Kitty, que entre um cochilo e outro, tem a função de vigiar os livros dos temíveis roedores.

Outra dica é assistir ao filme Before Sunset (2004), com Julie Delphy e Ethan Hawke. O filme começa dentro da livraria, mas este é assunto para o próximo post. Aguardem!

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Ser feliz é ter um livro… e seguir contra o vento

poor poet, Carl Spitzweg

Ser feliz é ter um livro novo pra ler, e sentir aquele cheiro de papel que livro novo tem – uma diliça! – amar a capa linda que fizeram, e gostar dele de monte, sem vontade de largar, e aprendendo uma porrada de coisas novas sobre gentes e sentimentos.”

Adorei esta frase escrita pela Regininha, retirada da crônica “Ser feliz”, que saiu pelo AN, na quinta-feira passada. Gostei demais porque adoro livros! Ler, fazer, cheirar, e apreciá-los como objeto.

Ler livros nos faz viajar tão alto e tão longe, que às vezes nem dá vontade de voltar! E relembrando um post anterior… eu mencionei que nas férias viajei a Londres, no começo do século XX. Pois bem, foi uma viagem fantástica, porque descobri a capital inglesa pelas palavras de dois escritores. Um deles é o escritor argentino Rodrigo Fresán, autor do romance Jardins de Kensington, que numa mistura de cenários ingleses (a Londres vitoriana e a Londres psicodélica dos anos 1960), conta a história de J. M. Barrie, o criador do clássico Peter Pan. Baseado nos diários e cartas de J. M. Barrie, Fresán revela a aproximação do criador com os irmãos Llewelyn Davies, que ficaram famosos por serem os inspiradores desta fábula eterna. Uma curiosidade: a história do filme Finding Neverland (2004), estrelado por Johnny Depp, não é fiel à vida do escritor, que dizia:

A melhor coisa do mundo é ser criança e a segunda melhor coisa do mundo é escrever sobre ser criança.”

Em outro livro, passeei pela Londres de Virgínia Woolf, através do diário da escritora. Li a versão portuguesa, pois a edição brasileira está esgotada, infelizmente. No diário, Virgínia expõe suas críticas e seus encantamentos pelos lugares da cidade e revela um pouco sobre seu conturbado processo criativo. Analisa minuciosamente seus amigos do Bloomsbury Group, e também outros escritores ainda desconhecidos, como T. S. Eliot e Aldous Huxley. Além disso, Virgínia descreve seu dia-a-dia na Hogarth Press, editora fundada em 1917 e que pertencia à ela e seu marido Leonard Woolf. Que diliça! – como diz Regininha, ler as palavras de Virgínia sobre os dias inteiros que passava costurando livros e escolhendo as capas desenhadas pela artista e irmã Vanessa Bell. E para minha surpresa, Virginia escreve com tristeza (em maio de 1921) sobre a morte inesperada de um dos irmãos Llewelyn Davies, pois afinal, todos moravam nos arredores dos Jardins de Kensington.

Concordo com Rodrigo Fresán quando ele diz que “é melhor não ir para conhecer melhor”. Fui a Londres duas vezes e não gastei nada, pois eram livros emprestados! E no final da viagem ainda encontrei esta frase de Virgínia:

Ser feliz é virar tudo do avesso de três ou quatro em quatro anos. Mudar sempre de rumo para se seguir contra o vento.”

J.M.Barrie and Virginia Woolf

Gatos, bigodes ao léu

capa gatos laerteAcho que todo mundo tem o costume de colecionar algo estranho ou peculiar. Pois eu tenho o costume de catar os bigodes dos meus gatos caídos no chão. Já tenho uma porção e ainda não sei bem o que fazer com eles. De repente eu invento alguma “coisa” pós-complexa…

E por falar em bigodes, em janeiro ganhei o livro (que está na foto ao lado) dos ‘Gatos do Laerte‘ e é divertidíssimo. Adoro o trabalho do Laerte e todos os seus personagens hilários, como os Piratas do Tietê, Los 3 amigos e o Homem Catraca. Mas é claro que a Gata e o Gato são os meus preferidos e no livro, logo no início da apresentação dos gatos, há uma ótima descrição de suas características e preferências, que descrevo aqui:
Gata – não gosta de ser definida como fêmea do gato; é uma fêmea absoluta, acima das espécies e das estrelas. Curte Luiz Melodia, acredita em Batman, sonha com números e aposta tudo em sexo bizarro.
Gato – Idealista, criativo, inseguro, portador de uma bagagem cultural mais sortida do que profunda. Tem todas as sonatas de Beethoven, mas já foi visto num karaokê, dando tudo de si pra impressionar a gatinha. E conseguiu.

Laerte é um criador talentoso e catlover revelado na contracapa deste mesmo livro, que diz o seguinte: “Trabalha desde 1973, com o objetivo de comprar ração e areia.” Por esta revelação suponho que os gatos do Laerte são sortudos por terem um dono assim tão generoso e legal!

tira gatos