Category Archives: Livros

Traumgedanken

traumgedanken

É da designer gráfica alemã Maria Fischer este belo trabalho intitulado Traumgedanken, que pode ser traduzido como “Reflexões sobre sonhos”. O livro contém uma coleção de textos literários, filosóficos, psicológicos e científicos que nos levam a diferentes teorias sobre sonhos. (Waking Life e a A Ciência dos Sonhos?)

Para facilitar o acesso a este tópico indescritível, a designer concebeu um livro onde as partes da realidade (textos) são conectadas por fios para construir uma história e assim, os tópicos mostram e simbolizam a confusão e a fragilidade dos sonhos.

traumgedanken

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Colhido em: of paper and things

Astrologia para o seu gato

astrocats

Um novo ano chegou e durante estes dias a maioria dos humanos pensa em astrologia, não é mesmo? Como os astros vão influenciar sua vida familiar, amorosa, profissional etc… e os gatos, você já pensou que a personalidade do bichano pode ser regida pelos astros? Se sim, a editora Publifolha tem um livro especial sobre este assunto: Astrocats escrito pela americana Julia Harris.

Se você não sabe exatamente o dia em que seu felino nasceu, não se preocupe! Já no comecinho do livro a autora faz um questionário com os principais hábitos do felino para que você descubra se ele é água, terra, fogo ou ar e a partir daí o questionário fica mais específico, até você chegar ao signo do seu bichano. É batata! Eu tenho uma vaga ideia das datas de nascimento dos meus e respondendo às perguntas descobri que o meu gatinho é de áÁries e a minha gatinha é de Virgem, e todas as características conferem certinho.

Um livro bem colorido no qual você poderá descobrir como lidar com as instabilidades do seu gato e aprender a compreendê-lo ainda mais.

atrocats

Feliz 2011!

"Os livros são muito ciumentos"

jose mindlin

Domingo passado faleceu um grande homem que dedicou sua vida aos livros: José Mindlin foi dono – ou depositário, como ele preferia se denominar – da mais importante biblioteca privada do país, que começou a formar aos 13 anos de idade. A esposa Guita (falecida em 2007) foi sua grande aliada na paixão pelos livros e criou a ABER, com o objetivo de congregar profissionais e entidades ligadas à conservação e restauração dos livros, documentos impressos, manuscritos e à encadernação artesanal. Parceiros e cúmplices, o casal formou um acervo com mais de 40 mil títulos, entre os quais muitos raros ou únicos, reunidos em sete décadas. Um dos livros mais antigos da biblioteca é uma edição dos Triunfos de Petrarca, de 1488, obra típica do Renascimento, foi impressa em trapos de pano que até hoje exibem excelente conservação — muito superior à do papel industrial do século XIX.

Além da grandeza de uma obra de sonho, a biblioteca de Guita e José Mindlin é tocada pela grandeza da generosidade do casal: a Coleção Brasiliana, um acervo de mais de 17 mil títulos que tratam somente de cultura brasileira, foi doada à Universidade de São Paulo em 2006 e hoje é um patrimônio de todos os brasileiros. A biblioteca possui os primeiros exemplares da Imprensa Régia no Brasil no início do século XIX; coleções (hoje raríssimas) de revistas científicas do século XIX e XX; peças curiosas como a primeira edição de Os Lusíadas; documentos do séc. XVI com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil; os originais de Sagarana de João Guimarães Rosa; Vidas Secas de Graciliano Ramos etc. Enfim, uma biblioteca cuja notória brasiliana tornou-se conhecida no país e no estrangeiro como uma coleção única, obra de uma vida de dedicação à cultura brasileira e suas manifestações.

O ex-libris (selo pessoal colocado em livros) de José Mindlin, identificava quem foi o empresário, intelectual e acadêmico: “Je ne fait rien sans gayeté”, ou “não faço nada sem alegria”. A escolha da máxima de Montaigne foi retirada de seus Ensaios, da qual a biblioteca tem um raríssimo exemplar de 1588, que pertenceu ao crítico Saint-Beuve. Quando lhe perguntaram qual o seu livro preferido, Mindlin respondeu: “os livros são muito ciumentos e eu não posso falar em preferências, porque vou ter problemas com eles”. O empresário ensinou que a mais importante qualidade de um bibliófilo não é a fortuna ou a erudição, mas a paciência. O importante é o prazer da leitura, e resumiu seus sentimentos numa frase: “Num mundo em que o livro deixasse de existir, eu não gostaria de viver.”

Viver entre livros é habitar um mundo estranho. Eles parecem pertencer ao reino dos objetos inanimados, mas essa é só uma falsa impressão. Os livros contam histórias e declamam poesia, amam e odeiam, educam, alegram e também traem. Embora possam ficar abandonados por anos a fio, são seres quimicamente vivos, matéria em movimento. Exposto à luz natural, o papel torna-se ácido e áspero, as letras perdem o viço e a cor. Manuseado sem o devido respeito, a estrutura arrebenta, a encadernação se fratura. Quando a capa é de couro, deve ser polida com cera, o remédio mais seguro contra a poluição das cidades e a gordura da cozinha. As páginas devem ser limpas, uma a uma, com um pincel bem macio, ao menos uma vez por ano.”

Afinal, a gente passa, mas os livros ficam.”   (José Mindlin, 1914-2010)

fotos de Cristiano Mascaro

Desde o dia 16 de junho de 2009, parte do acervo da Biblioteca Brasiliana da USP está on-line e acessível aos usuários da internet, disponibilizando 3 mil documentos, dos 40 mil volumes do acervo da biblioteca Guita e José Mindlin. A universidade afirma que ainda não há uma data para que todo o acervo doado seja escaneado e colocado na internet. Além disso, a Brasiliana USP está construindo um moderno edifício de 20.000 m2, no coração da Cidade Universitária em São Paulo.

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Colhido em: quero morar numa livraria; blog do Insituto Sergio Motta; Revista da Cultura; ABER.

SIB-Sociedade dos Ilustradores do Brasil

sib

Fiquei muito feliz ao receber o primeiro catálogo organizado pela SIB! A publicação oferece um panorama da arte de 40 ilustradores brasileiros de literatura infantil e juvenil, muitos deles premiados no Brasil e no exterior, como Adrés Sandoval, Cris Eich, Jean-Claude Alphen, Suppa, Alê Abreu, Luiz Maia, Rodrigo Rosa, Orlando, Laura Teixeira, Guto Lins e muitos outros.

A SIB reúne profissionais de diversas áreas, como publicidade, design, cartum, charge, caricatura, quadrinhos e é claro, ilustradores de livros infantis e juvenis.

O site do SIB é uma ótima ferramenta para diretores de arte, designers e profissionais da área que procuram por profissionais altamente qualificados.

Faço minhas as palavras contidas no catálogo: “Belas ilustrações e projetos gráficos estimulam o prazer íntimo de sua descoberta. O livro-objeto, criado para maravilhar crianças e jovens, é também um deleite para todos”. Parabéns ao SIB!

cris e jean

andres

A Arte Invisível

a-arte-invisivel

No post anterior, Lars Müller comentou sobre o ritmo de leitura de um livro visual. Um livro, composto por imagens ou não, carrega consigo regras básicas que devem ser respeitadas pelo designer no momento de sua criação.

Sobre este tema, um livro formidável que considero uma de minhas “bíblias do design de livros” é A Arte Invisível, da Ateliê Editorial. Organizado por Plinio Martins Filho, doutor em editoração pela USP, atuante no mercado editorial há mais de 35 anos e atual diretor-presidente da Edusp.

O leitor, na maioria das vezes, não pensa na tamanha importância que um designer deve ter nas escolhas gráficas e tipográficas quando cria o projeto de um livro; e essa preocupação é o que faz de um livro ser considerado melhor, mais bonito, fácil de ler, entre outras qualidades. A Arte Invisível é um conjunto de citações de especialistas sobre o design e a edição de livros; com frases significativas e inspiradoras, o pequeno volume mostra-se grande desde sua abertura.

Leia abaixo alguns tesouros do design editorial, por Richard Hendel:

O trabalho real de um designer de livro não é fazer as coisas parecerem “legais”, diferentes ou bonitinhas. É descobrir como colocar uma letra ao lado da outra de modo que as palavras do autor pareçam saltar da página. O design de livro não se deleita com sua própria engenhosidade; é colocado a serviço das palavras. Um bom design só pode ser feito por pessoas acostumadas a ler – por aquelas que perdem tempo em ver o que acontece quando as palavras são compostas num tipo determinado.”

O design de livro não é uma dessas artes que permitem uma criatividade infinita e irrestrita.”

Não é somente o que o autor escreve num livro que vai definir o assunto do livro. Sua forma física, assim com sua tipografia, também o definem.”

De Virginia Woolf para Paul Cézanne

Paul Cézanne - nature morte aux pommes, 1890

18 de abril, 1918

… viemos para Londres com um vento agreste e com chuva, de lá fomos a Gordon Square; onde se apresentou primeiro o novo Delacroix, e depois o Cézanne (Pommes). Há seis maçãs no quadro de Cézanne. O que é que seis maçãs podem NÃO ser?, comecei eu a pensar cá para comigo. Há a relação entre elas, e a cor, e a solidez. Para o Roger [Fry] e a Nessa [Vanessa Bell], para além disso havia uma questão muito mais intrincada. Era uma questão de se saber se era tinta pura ou misturada; se era pura, qual a cor: esmeralda ou verde; e depois as camadas de tinta; e o tempo que lhe levou, e como o alterou, e porquê, e quando o pintou… Levámo-lo para a sala contígua e, santo Deus!, como ofuscou os quadros que lá estavam, como se se pusesse uma jóia verdadeira junto de jóias falsas; as telas dos outros pareciam ter sido esborratadas com uma fina camada de uma tinta de muito má qualidade. As maçãs ficaram realmente muito mais vermelhas e mais redondas e mais verdes. Desconfio de que há uma porção com propriedades muito misteriosas naquele quadro. (…)

Virginia Woolf, – Diário, 1915-1926, vol. I, ed. Bertrand, Portugal. pg, 89.


No dia 19 de janeiro de 1839, em Aix-en-Provence (França), nascia Paul Cézanne. Mestre inconfundível e criador de novos caminhos para a arte do século XX, foi demolido em vida pela crítica, que o qualificou de “irremediavelmente fracassado”. Cézanne trouxe uma nova concepção de percepção da realidade. É hoje um dos pintores mais caros do mundo, “Cézanne é o pai de todos nós”, disse Pablo Picasso a respeito do artista.  A palavra ‘todos’ incluía os pintores do fauvismo, do cubismo e do abstracionismo.

O Gato Chinês

o gato chinesLivro sempre é um bom presente, e nesta semana um livro me encontrou: O Gato Chinês (editora Landscape), escrito por Kwong Kuen Shan. Logo na introdução, uma surpresa: a autora revela que tinha fobia de gatos e nunca teve um gato até seis anos atrás, quando um gato a adotou. Certo dia seu vizinho se mudou e levou consigo seus gatos, mas um deles sempre voltava para o lugar onde vivera. Pela quarta vez, Shan resolveu ficar com o gato e a partir deste momento sua história com os felinos começou…

A autora, que estudou literatura clássica, caligrafia e história chinesa quando criança em Hong Kong, também assina a maioria das pinturas do livro. Executadas com ferramentas e materiais chineses, as pinturas têm técnicas livres e também meticulosas, numa elaboração refinada para captar a personalidade e o espírito do gato, que ilustram os textos e ensinamentos orientais.

Publicado originalmente como The Cat and the Tao, de acordo com Shan, o livro não se refere ao Taoísmo em si. O Tao é usado como o caminho rumo à sabedoria e à inspiração, a direção de uma viagem do início ao fim:

Ela se refere à forma como procuramos pela verdade, como nós nos conduzimos. Significa observar as leis da natureza, viver em harmonia com os outros seres vivos e separar o que é importante à vida e o que é apenas um acessório.”

Abaixo: Serenata de Outono, de Kwong Kuen Shan.

serenata de outono

Querido leitor, desejo ótimas festas e um ótimo 2009! Até logo!