Category Archives: Cat Lovers

Tiny red cats

sleepycats

Thereza Rowe é ilustradora e designer gráfica – half Brazilian/half British –, vive em Londres e adora gatos. No momento ela desenvolve um trabalho sobre o gato El Justiciero, inspirado numa música dos Mutantes. Em seu blog, além da companhia dos felinos (ela tem duas gatinhas, a Kitty e a Flash), Thereza nos mostra seu olhar particular sobre as ruas e lugares de Londres e também de outras cidades por onde passa.

eljusticeiro

Blue Bell Foundation

blue-bell

Esta é a The Blue Bell Foundation for Cats, um paraíso para felinos aposentados! A fundação abriga cerca de 50 gatos, todos bem instalados numa casa aconchegante com pátio ao ar livre. Ao todo são 2 hectares, e para gatos com necessidades especiais há uma casa em anexo. Alguns gatinhos vão para lá porque seus companheiros humanos morreram. A maioria viverá o resto de suas vidas na instituição e somente alguns estão disponíveis para adoção.

A Blue Bell fornece uma solução alternativa para um abrigo tradicional e a maioria dos gatos que estão lá não é capaz de se readaptar fora dela. Esta é uma casa que fornece um ambiente livre de gaiolas, onde os gatos ficam em aconchegantes cestas para dormir tem e altas prateleiras para escalar. Lá eles recebem uma dieta de qualidade, convivem com voluntários amorosos que visitam a instituição e recebem cuidados veterinários para a prevenção e tratamento de necessidades médicas.

A Blue Bell iniciou na década de 60, quando Bertha Gray Yergat abriu sua casa como um abrigo temporário para cuidar dos gatos de amigos. Bertha amava demais os animais, principalmente gatos, e preferia levá-los consigo ao invés de vê-los em abrigos. Para garantir a assistência continuada após sua morte, Bertha estabeleceu um conselho de administração, e em 1989 a Blue Bell se tornou uma fundação que sobrevive com a generosidade dos cidadãos em causa solidária. O pequeno fundo que Bertha deixou após sua morte foi utilizado após um deslizamento de terra que destruiu sua antiga casa em 1998. Hoje, os novos habitantes felinos devem ter um patrocinador  para apoiar seus cuidados continuados.

“Blue Bell” é o nome de um dos gatos de Bertha, que usava um sino azul em volta do pescoço. Abaixo, conheça a fundação e alguns dos gatos felizes que vivem lá:

Colhido em: SOS Gatinhos
Não abandone seu animal. Proteja-o assim como você gostaria que fosse protegido.

O Gato Chinês

o gato chinesLivro sempre é um bom presente, e nesta semana um livro me encontrou: O Gato Chinês (editora Landscape), escrito por Kwong Kuen Shan. Logo na introdução, uma surpresa: a autora revela que tinha fobia de gatos e nunca teve um gato até seis anos atrás, quando um gato a adotou. Certo dia seu vizinho se mudou e levou consigo seus gatos, mas um deles sempre voltava para o lugar onde vivera. Pela quarta vez, Shan resolveu ficar com o gato e a partir deste momento sua história com os felinos começou…

A autora, que estudou literatura clássica, caligrafia e história chinesa quando criança em Hong Kong, também assina a maioria das pinturas do livro. Executadas com ferramentas e materiais chineses, as pinturas têm técnicas livres e também meticulosas, numa elaboração refinada para captar a personalidade e o espírito do gato, que ilustram os textos e ensinamentos orientais.

Publicado originalmente como The Cat and the Tao, de acordo com Shan, o livro não se refere ao Taoísmo em si. O Tao é usado como o caminho rumo à sabedoria e à inspiração, a direção de uma viagem do início ao fim:

Ela se refere à forma como procuramos pela verdade, como nós nos conduzimos. Significa observar as leis da natureza, viver em harmonia com os outros seres vivos e separar o que é importante à vida e o que é apenas um acessório.”

Abaixo: Serenata de Outono, de Kwong Kuen Shan.

serenata de outono

Querido leitor, desejo ótimas festas e um ótimo 2009! Até logo!

Le Chat Noir

O Chat Noir ilustrado na foto acima (à esquerda) é muito popular e provavelmente você já o viu impresso em algum lugar. Seu criador, porém, não é tão conhecido assim.

Théophile Alexandre Steinlen (1859-1923), pintor, ilustrador e impressor nasceu na Suíça. Em 1881, aos 19 anos, mudou-se para Paris e dedicou-se ao desenho profissionalmente. Frequentou os cafés de Montmartre, principalmente o famoso Le Chat Noir (fundado pelo seu colega suíço Rodolphe Salis), onde travou conhecimento com artistas de vanguarda, como Toulouse-Lautrec, Adolphe Willette, entre outros. Tornou-se um dos colaboradores regulares da revista Le Chat Noir, e logo começou a desenhar para a maioria das revistas de humor, às vezes utilizando o pseudônimo de Jean Caillou. Trabalhou também no Gil Blas illustre (fez mais de quatrocentos desenhos), Mirliton, Chambard, Rire e L’Assiette au beurre. Em 1911, tornou-se um dos 13 jornalistas fundadores da Les Humouristes, cuja duração foi curta, infelizmente.

Steinlen adorava gatos. Seu afeto por animais foi observado já em sua escolaridade, quando desenhava gatos nas margens de seus cadernos. No início de sua carreira, vendia desenhos de gatos em troca de comida. Nos anos posteriores, gatos aparecem na maioria de seus desenhos, ilustrações para revistas, cartazes ou litografias, quase como uma espécie de assinatura. O artista desenhou, pintou e esculpiu-os. Tentou traduzir toda a imaginável sutileza de seus movimentos, poses, charme, caráter, assim como suas propriedades simbólicas. O período em que esculpiu os felinos é pouco conhecido, porém, o Museu de Berlim conservou uma de suas peças em bronze, chamada “Um Angorá”.

Em Paris, sua casa na Rue Caulaincourt foi um local de encontro para todos os gatos do quartier. Vários dos estudos dos gatos de Steinlen foram compilados em uma publicação intitulada “Des chats”. A filha Colette, escritora e tal como o pai, grande apreciadora de gatos, serviu-lhe de modelo para o cartaz “Le Lait de la Vingeanne” (acima, à direita).

Radioactive Cats

Esta é uma das obras mais conhecidas da artista norte-americana Sandy Skoglund. Fazem parte de seu processo de criação objetos cuidadosamente selecionados e coloridos, em um processo que leva meses para a sua conclusão. Além de objetos esculpidos, a artista completa suas obras (fotos, instalações e vídeos) com a presença de atores.

Skoglund, que é atualmente docente em fotografia e arte instalação na Rutgers University, em Nova Jersey (EUA), afirma que enquanto criava Radioactive Cats, começou a perceber o mundo como se ela fosse um gato.

Alguns críticos escreveram que o número excessivo de gatos em RC indica a perda de controle humano, e que se lido no contexto de uma catástrofe nuclear, o excesso de gatos sugere que a natureza como conhecemos terá sido perdida. Pelo contexto social, a figura dos idosos e o número excessivo de gatos remetem à generosidade dos idosos ao recolher os felinos. Outros afirmam que a autora criou  gatos luminosos (jogando com a idéia de que os gatos pode ver à noite), dispostos em um apartamento sombrio e degradado, criando um mundo para além do nosso controle. E outros exageram ao dizer que a obra retrata animais perseguindo o casal idoso na cozinha, onde no brilho que emana o ato de abrir a porta da geladeira, assiste-se a um pesadelo de velhice e de decrepitude.

Na minha opinião, gatos e humanos estão serenos e em plena harmonia. É uma obra fascinante.

Radioactive Cats (1980): fotografia colorida (cibachrome), 65 x 83 cm.
Acervo: fraclorraine.org

Gatos por Artur da Távola

Quem diz que gato é arrogante, egoísta, sa­­fado e espertalhão não conhece um gato. Gato é zen, é Tao, vê além do ho­mem e relaciona-se com a essência. Exige respeito pe­la sua individualidade, mas também sabe res­pei­tar a dos que o cercam.

Não pede amor, mas é e­xigente com quem ama e exige retribuição. Dis­creto, quando manifesta afeto é muito verdadeiro.

Se o homem não sabe ver o gato, o gato sabe ver o ho­mem. Vê mais, vê dentro, vê além. O gato é uma lição diária de harmonia, equilíbrio e fidelidade. Suas manifestações são íntimas e profundas, vive do verdadeiro e não se ilude com aparências.

Em toda a natureza, nin­guém aprendeu a bastar-se como um gato!

(Adaptação do texto de Artur da Távola [03/01/1936 — 09/05/2008])

Entre Linhas – Escritores e Gatos

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No programa Entre Linhas da TV Cultura passou uma reportagem muito legal sobre a paixão dos escritores por gatos. Depoimentos de Lourenço Mutarelli, Luiz Ruffato, imagens de arquivo dos poetas Haroldo de Campos e Ferreira Gullar, e também algumas frases sobre felinos, como esta de Machado de Assis:

O gato que nunca leu Kant, é talvez um animal metafísico.”

O vídeo está acessível no site do programa. Vale à pena conferir!